Há alguns séculos atrás, perguntava a Juliet de Shakespeare, a propósito da rivalidade entre os Montague e Capulet, que impedia que o amor entre ela e Romeu se concretizasse:
"What's in a name? That which we call a rose
By any other name would smell as sweet."
By any other name would smell as sweet."
De facto um nome não deveria ter o poder de limitar os sonhos e desejos das pessoas. Contudo há situações em que um nome se reveste de uma importância enorme, em que um nome nos permite pertencer.
De acordo com o Dicionário de Língua Portuguesa da Porto Editora, o nome, entre outras coisas, é uma "palavra com que se designam seres, coisas, qualidades, objectos, estados ou acções"; uma palavra que "indica linhagem, família". Contudo, o direito que qualquer pessoa tem de o seu nome espelhar a família a que pertence está, neste momento, em banho maria no que diz respeito ao nosso filho F. Passo a explicar: todas as pessoas nascidas no Equador são registadas com um ou dois nomes próprios (para os quais não há regras), o primeiro apelido do pai e o primeiro apelido da mãe, sendo o primeiro apelido, o do pai, o mais importante.
Quando começámos a saga de dar um nome e registar o nosso filho (já lá vai um mês e uma semana) não sabíamos que teríamos pela frente um longo caminho. O documento emitido pelo hospital refere que o bebé filho de S Bento Gomes e P J Barreiros dos Santos, nascido no dia tal, se chama F Gomes Barreiros, pois estes dois apelidos foram os que escolhemos para designar os nossos filhos. Na primeira tentativa para o registar, o P quase conseguiu convencer o funcionário a colocar-lhe o nome escolhido por nós, mas como não alcançou o seu objectivo não registou a criança, pois de acordo com as regras vigentes a criança tem de chamar-se F Barreiros Bento, ou seja, os primeiros apelidos de cada um de nós ( por mais que lhes expliquemos que Bento é o apelido da minha mãe e que as nossas duas filhas mais velhas têm como apelidos Gomes Barreiros, eles não atingem!).
No dia seguinte o P reuniu-se com o director do Registo Civil para lhe explicar a situação. O senhor disse compreender a situação, mas que teríamos de escrever uma carta expondo o problema e pedindo que nos permitissem atribuir os nomes que queríamos ao nosso filho. A carta foi feita, com ajuda do departamento legal da empresa do P. Nove páginas onde, baseando-nos na lei, tradições e costumes portugueses, bem como na defesa dos direitos de uma criança pertencer, através do nome, à sua família, solicitávamos que atendessem ao nosso pedido. Quase duas semanas depois foi-nos negada a solicitação, mas apresentaram-nos uma solução quase surreal.
Temso de registar o bebé como F Barreiros Bento (como se pertencesse a outra família) e quando estiver pronta a certidão de nascimento, solicitamos a alteração dos apelidos, situação que está prevista na lei !!!
Hoje demos início ao processo, por isso, o F a partir de hoje chama-se F Barreiros Bento. Esperemos que, dentro de pouco tempo, possamos orgulhosamente chamar-lhe F Gomes Barreiros!
| palavra com que se designam seres, coisas, qualidades, estados ou ações; designação, denominação |
| 2. | linhagem, família |
nome In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013. [Consult. 2013-05-01].
Disponível na www: <URL: http://www.infopedia.pt/lingua-portuguesa/nome>.
| palavra com que se designam seres, coisas, qualidades, estados ou ações; designação, denominação |
| 2. | linhagem, família |
nome In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013. [Consult. 2013-05-01].
Disponível na www: <URL: http://www.infopedia.pt/lingua-portuguesa/nome>.