sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Manias

Não gosto de deixar coisas a  meio, se começo tenho de acabar, nem que demore muito tempo.
Já me aconteceu algumas vezes ter-me desentendido com o livro que estava a ler. Não sentia química, o que lia não estava a cativar-me. Umas vezes insisti mais um pouco, outras parei de o ler de imediato. Contudo tenho sempre de voltar a esse livro inacabado e terminar de o ler. Normalmente mantenho-o por perto, à vista, para que chegue o dia de voltar a lê-lo. Quando finalmente o faço levo a missão até ao fim, com mais ou menos entusiasmo. Normalmente não são livros que me enchem o coração, mas já tenho sido surpreendida e um livro que inicialmente estava com problemas no motor de arranque, revelou-se uma viagem bem interessante. Talvez a primeira tentativa não tivesse sido na altura certa para mim, quem sabe.
Aquelas coisas mais corriqueiras do dia-a-dia, como arrumar a cozinha depois de uma refeição, têm de ser feitas ponto. Deixar para o dia seguinte, por exemplo, é impensável para mim. Nem que seja bem tarde, depois de um jantar com amigos, mas tem de ficar terminado.
Vezes há que prefiro não começar porque não me apetece passar pelo processo. Prefiro esperar pelo momento em que me sinta inspirada para começar e terminar. Se começo tenho de acabar, por isso mais vale que esteja para aí virada. Mais uma vez, o que quer que seja é mantido à vista, para me lembrar que tenho de encontrar o momento certo.
Ontem terminei algo que começara há cerca de  três anos atrás e não terminara por razões externas à minha vontade. Passo a explicar: numa das nossas viagens Quito-Lisboa, que demoravam muuuiiito tempo vi a primeira parte de um documentário sobre os Queen - Those Were the Days of our Lives. Super interessante, vários pormenores que desconhecia, banda sonora fantástica, não fosse esta uma das minhas bandas preferidas. Na altura fiquei bastante aborrecida, quase irritada,  por não estar disponível a segunda parte. Durante todo este tempo nunca mais procurei o dito documentário, mas volta e meia vinha-me à ideia. Ontem, no carro, com um cd dos Queen como pano de fundo, em conversa com as miúdas falei-lhes nesse documentário e lamentei não ter visto a segunda parte. À noite termimei o que iniciara, revi a primeira parte 
e finalmente vi a segunda e ainda bem. Além de ter terminado algo que iniciara e quisera 
terminar, gostei  de acompanhar o Freddie, o Bryan, o Roger e o John na ua viagem enquanto Queen, gostei de me emocionar com o percurso, com as voltas da vida, com as melodias e as letras. Valeu bem a pena ficar acordada até mais tarde!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

A caminho do Natal

O Natal aproxima-se a uma velocidade vertiginosa e isso é tão bom! Adoro, adoro o Natal! Mal posso esperar por estar com a família, com os amigos, por cozinhar todos aqueles pratos e sobremesas que não podem deixar de estar presentes na mesa da consoada, por pôr e decorar a mesa de Natal, por ver as caras dos mais pequenos quando o Pai Natal entra pela nossa casa adentro e entrega um presente a cada um deles, por sentir a felicidade de estarmos todos juntos, por oferecermos os presentes que, com carinho, escolhemos para cada um, por dois dias depois voltar a preparar um monte de doces e salgados para a festa de aniversário da M, por estar em Portugal, por ligar o rádio e ouvir a minha língua, por cheirar o nosso mar, regressar aos restaurantes favoritos e comer a nossa comida, estar com a nossa gente. Sei que  vão ser dias intensíssimos, regressaremos a Atenas a precisar de descansar, mas terá valido a pena cada segundo vivido (como sempre).

Cá em casa já é Natal: as luzes, a árvore, os presépios, as meias... Tudo para aguçar ainda mais o espírito natalício que temos de sobra. Este ano as manas decidiram reciclar e fazer alguns presentes e as meias estã recheadas de surpresas. O F adora apagar as luzes do tecto para que apenas as luzes da árvore de Natal nos iluminem, segundo ele, para "fazer bonito". Este ano já não ataca a árvore e as decorações têm-se mantido no lugar, salvo algumas excepções.  Uma das rádios que costumamos ouvir, desde dia um de Dezembro, passa única e exclusivamente músicas de Natal, por isso, quando estamos no carro entoamos todos os clássicos da época.

Ao longo dos anos, ao fazer a lista de presentes de Natal, há quase sempre alguém que se acrescenta e alguém que já não está presente. Fica sempre esse amargo de boca a par com a alegria de uma vida nova. Fica para sempre a memória de todos os que já partiram, dos Natais e tantos momentos especiais passados em conjunto. O Natal é alegria, mas também é saudade. Muita.

Este ano, na festa da M, vamos tentar que a troca de presentes tenha um significado mais profundo, convertendo-a numa troca de doações para a associação APLAS, que apoia famílias de crianças com cancro. Acredito que quem receber a nossa modesta ajuda sentirá um pouco da magia côderosa que caracteriza esta associação, mas penso que também nós vamos sentir essa magia porque dar sem esperar nada em troca é mágico.