quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Ataque terrorista

Se me contassem eu ficaria com dúvidas, mas como assisti in loco, tenho de reconhecer a verdade: no Domingo o nosso fillho "enterroristou".
Depois de um dia passado em Coríntio, a visitar um castelo e as ruínas gregas, fomos jantar a casa de uns amigos portugueses. Mal chegámos o F ficou excitadíssimo, pois descobriu que havia uma cadela na casa, a Chincha, segundo ele (na verdade a bicha tem o mesmo nome que o segundo rei de Portugal, mas no feminino, claro). Corria, saltava, estava super feliz com a nova amiga e resolveu dar azo à sua criatividade. Apagou as várias velas aromáticas que estavam acesas, soprando insistentemente; a última apagou-a com o dedo indicador e percebeu que é uma forma mais dolorosa de alcançar o objectivo. Em cima de uma mesa de apoio estava um adorno com umas pedrinhas que ele colocou dentro das velas, lançou ao ar, espalhou pelo chão, até que as colocámos num lugar inalcançável. Tivemos de colocar em prateleiras mais altas diversas peças de decoração que ele tirou do lugar e com as quais queria brincar. Entornou vezes sem conta uma tigela com pinhões que estava em cima da mesa de centro. Lançou duas peças de um jogo de xadrez para dentro da lareira, salvas in extremis pelo P, que as resgatou bem perto das labaredas. Tirou um frasco de plástico da casa de banho e atirou-o também para dentro da lareira. Este não teve a mesma sorte que as peças de xadrez e derreteu imediatamente. Sem que ninguém desse conta, ligou a placa vitrocerâmica e incendiou um pano de cozinha que estava em cima da mesma. Não fosse o filho de outro casal, que, tranquilamente, se aproximou  da mesa da sala onde todos os adultos estavam sentados a petiscar, e disse "Há fogo na cozinha! Há fogo", o resultado poderia ter sido bem pior. Foi de tal maneira que resolvemos regressar a casa para pôr fim ao ataque do terrorista!

Já no carro, fazendo um balanço de todos os disparates, não queríamos acreditar. O P disse logo que nunca mais nos convidariam!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Mimos de filhos

Ter filhos, criá-los, vê-los crescer é  uma descoberta constante. Em todas as fases há novidades. Cá em casa, vivemos três idades muito diferentes. 
Temos uma filha muuuiiito crescida, com onze anos, que adora descobrir coisas novas, investigar, ler, jogar Minecraft, brincar, rir e fazer rir e, claro, azucrinar a irmã. As duas são muito cúmplices, não vivem uma sem a outra e, por vezes, não conseguem viver uma com a outra. Em relação ao F a nossa crescidona é mais maternal, não há espaço para birras com o irmão, brinca com ele, faz muitos disparates que o fazem rir e deixa-o "torturá-la", no meio de muita galhofa e gargalhada.
Com sete anos e em plena fase do desafio, temos a nossa M. Tem ataques de teimosia, quer ser dona do seu nariz e fazer apenas o que ela bem entende, o que significa que estamos sempre a medir forças. Ao mesmo tempo é muito querida, gosta de dar e receber mimos. Está apaixonada pelo seu amigo P. Também tem muito sentido de humor e gosta de pregar partidas à irmã. Quer fazer tudo que a irmã faz e gosta de azucrinar o irmão. 
O caçula da família derrete corações, nem as manas resistem e estão sempre a dizer "Que fofo!". Tanto nos abraça e  dá beijinhos, como puxa da mão para nos dar uma traulitada quando o contrariamos. Como isso acontece algumas vezes ao dia, medir forças com ele é uma constante. Faz birras, deita-se no chão amuado, mas passa-lhe depressa. Adora jogar às escondidas, "ler" e ouvir ler histórias, brincar com os carros e com todos os brinquedos que têm som. Gosta muito da nossa amiga de quatro patas, a B. Faz-lhe muitas festinhas, dá-lhe brinquedos, fala com ela. Hoje encheu-lhe a cama com todos os crocs e sapatos que conseguiu alcançar. Continua a gostar muito de música e de dançar. Gosta de ligar o orgão cá de casa e ouvir as músicas que estão pré-gravadas, que acompanha com umas loucas tecladas. É doido pelos seu carro andador, o mesmo com que se lançava contra a árvore de Natal e que põe em cima do sofá. Ao nível da linguagem, todos os dias diz palavras novas, expressões. Claro que todos o estimulamos e ele vai correspondendo. Hoje, antes de dormir a sesta, perguntei-lhe se, quando as manas viessem da escola, queria jogar às escondidas. Disse logo "xim, eu, a M..., a T... e a mãe". (Não é fofo?!)  Por veze diz e faz coisas bem cómicas, das quais ele próprio se ri. Na semana passada, por duas vezes, quando acordou de noite para mamar pediu-me... "afé", ou seja, café. Se não fossem uma ou duas da manhã ter-me-ía rido à gargalhada, mas o sono permitiu-me apenas rir-me para dentro e, baixinho, dizer-lhe "não é café, é  leitinho". 
Tantos mimos de filhos fazem-nos muito bem! (Para compensar aquelas alturas em que, de tanto embirrarem uns com os outros, temos vontade de os pendurar no arame da roupa!)

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Neve... outra vez

A temperatura desceu, levantou-se uma grande ventania, chuva. Depois de uma noite de tempestada (a C até veio dormir na nossa cama), a temperatura desceu ainda mais e começou a nevar de manhã. Já tinha ameaçado na tarde anterior, mas só de manhã é que realmente pegou. Como eram apenas salpicos arriscámos sair, mas em algumas partes a estrada já estava muito escorregadia. Deixei as manas na escola, levei o F ao hospital para fazer um exame e regressei a casa. A estrada estava limpa e fiquei mais descansada. À hora do almoço, caiu neve a sério e comecei a recear não conseguir sair de casa com o carro, já que estamos na montanha, numa rua com 20% de inclinação! Como a coisa não melhorava, o P acabou por ir buscá-las à escola e ficou também ele em casa. Esta manhã estava tudo coberto de neve e mais uma vez ficámos "presos". Pelas 9:30 limparam a estrada e o P arriscou ir trabalhar. Demorou cerca de trinta minutos a fazer um percurso que normalmente demora menos de dez minutos. Quando me telefonou a contar a aventura, disse que eu fizera muito bem em ficar em casa, porque não tinha sido nada fácil.

As manas adoraram o dia de férias extra. Vestiram-se a rigor e foram para o terraço brincar. Mandaram muitas bolas de neve e até construíram um boneco de neve tão alto como a M.



 

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Vitórias e teorias

O trabalho compensa e a prova disso foi o sucesso da M e de todos os seus colegas na peça de teatro "Dino Daze". Quarenta e seis crianças em palco, disseram as suas falas, cantaram, dançaram divertiram-se muito e encheram de alegria pais, mães e todos os colegas do Kindergarten até ao quinto ano. Começaram a aprender as falas no final de Novembro, ensaiaram durante semanas e de forma mais intensa desde o recomeço das aulas, depois das férias de Natal. A M desempenhou o papel de paleontólogo, juntamente com três colegas. Havia várias espécies de dinossauros, vulcões, montanhistas, árvores, muita criança excitadíssima e cheia de expectativa, para pôr fnalmente em práctica tudo o que tinham ensaiado. Foi muito lindo e correu muito muito bem. 
Parabéns para a M e todos os colegas do primeiro ano!

A paleontóloga M


 
Há teorias para tudo e sobre tudo. Cá em casa, sobretudo depois do nascimento do F, há um assunto que tem suscitado várias teorias das manas: como se fazem os bebés. 
O ponto de partida foi um livro que explica o processo às crianças. Ofereci esse livro à C, durante a gravidez da M, e de vez em quando revisitávamo-lo. Até à gravidez do F, líamos o livro, discutíamos um ou outro pormenor, mas nada levantava muitas dúvidas. Contudo, desde que encomendámos o F, tem havido mais perguntas e respostas muito criativas e até mesmo hilariantes. Claro que os dez/onze anos da C contribuíram para que, sobretudo ela, queira perceber melhor como tudo se processa. 
A grande dúvida que o dito livro suscitava era como os espermatozoides passavam do pai para a mãe. A M dizia que o pénis e a vagina se beijavam e pronto. A C achava que os espermatozoides saltavam de um para o outro... que pontaria!!! Depois de diversas teorias do género e muitas gargalhadas sobre o assunto, acabei por ter de dizer-lhes que o pénis entra na vagina. Primeiro comentário - QUE NOJO! 
Na semana passada, enquanto jantávamos, na televisão falou-se de alguém que tinha engravidado sem querer e a C diz: "Mãe, para não engravidar basta nunca tirar as cuecas e as calças, não é?". Não pude deixar de rir, mas de facto a moça tem razão. Se todos se lembrassem disso, evitar-se-íam algumas surpresas, lol! Espero que ela própria, daqui por alguns anos também se lembre da sua teoria.