quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Leituras

Apesar de estarmos a meio de Fevereiro, não posso deixar de registar um acontecimnto marcante no meu mês de Janeiro.
Como é habitual, regressei das férias de Natal com alguns livros novos na mala. Poucos dias depois comecei a ler Recomeçar, de Maria Dueñas. Um livro que me fez viajar no tempo até ao meu primeiro ano de faculdade, à cadeira de Metodologia do Trabalho Científico. Lemos alguns short stories e um livro fantástico, Possession, sobre a investigação do espólio dos autores e sobre tudo o que se descobre e o que deve ou não ser divulgado. No livro de Maria Dueñas, uma professora universitária dos nossos dias vê a sua vida estável desmoronar por causa de um divórcio completamente inesperado.  Decide fugir, aceitando organizar o espólio de um professor universitário, doado à sua alma mater após a sua morte, numa universidade noutro país. Recomeçar atravessa fronteiras e épocas, fala-nos de perdas, coragem, segundas oportunidades e a vontade de reconstruír, recomeçar. Gostei das intrigas imprevistas, dos amores entrecruzados e inesperados e das personagens cheias de paixão e humanidade. Obrigada C e N pelo presente!

Entusiasmada com este primero livro, comecei a ler A Montanha Entre Nós, de Charles Martin. Fui lendo página atrás de página desta história de amor e sobrevivência. Acompanhei as duas personagens na sua luta para atravessar uma zona montanhosa, de difícil acesso, longe de tudo e coberta de neve, num rigoroso Inverno. Tiveram de percorrer cerca de 100 km sob condições terríveis, depois de o avião em que seguiam se ter despenhado e de uma delas ter ficado gravemente ferida. Para além da luta com o meio envolvente, tiveram de reunir toda a coragem e resiliência que possuíam para não desistir. A viagem foi duríssima, mas a viagem interior às vidas que deixaram em suspenso, ao seu passado, também. Gostei do final inesperado que, apesar de triste, abre para um recomeço e uma nova oportunidade no amor. Obrigada I e N pela escolha acertada!
 
Embalada com estas leituras, peguei num livro que comprara na escola das manas. Comecei a lê-lo à meia noite e não consegui parar até às quatro da manhã. Sarah's Key, de Tatiana de Rosnay, foi talvez o livro mais duro  e sofrido que li até hoje. Cruzam-se duas histórias, a de uma jornalista americana, Julia Jarmond,casada com um francês e a viver em Paris, encarregue de fazer a cobertura do sexagésimo aniversário da grande concentração de dezenas de milhares de judeus num estádio, onde ficaram presos  alguns dias antes de serem levados para campos de concentração em França e depois enviados para Auschwitz para morrer. E a história de Sarah Starzynski, uma menina judia de dez anos, que foi brutalmente arrancada de casa com os seus pais, pela polícia do governo colaboracionista francês. Michel, o irmão de quatro anos de Sarah, esconde-se dentro de um armário e ela, acreditando que em poucas horas estará de volta, tranca-o lá dentro e guarda a chave. Ao aprofundar a sua investigação, Julia constata que o apartamento para onde ela e o marido se vão mudar pertencera aos Starzynski, a família de Sarah, que fora desapossada pelo governo francês e comprada pelos avós do marido da jornalista. Ela resolve descobrir o destino dos ocupantes anteriores e assim é revelada a história de Sarah, a única dos Starzynski a sobreviver. Julia retraça a sofrida jornada de Sarah em busca de liberdade e sobrevivência, dos terríveis dias passados num campo de concentração, dos tensos momentos na clandestinidade e o seu paradeiro após a guerra. À medida qe a história de Sarah vai sendo revelada, muitos segredos são desenterrados. Esta história tocou-me muito, transtornou-me até. Chorei compulsivamente em muitos momentos, sofri com o desespero de Sarah e dos seus pais quando se deram conta que não íam poder voltar e o irmão/filho ficara trancado no armário, sofri com as descrições horrendas dos milhares de judeus amontoados no estádio e no campo de concentração, sofri com a separação das crianças judias dos seus pais e deixadas à sua sorte no campo de concentração,  acompanhei-a na sua fuga, torcendo para que tudo corresse bem, acreditei que tudo iría melhorar quando uma família a ajudou e protegeu, fiquei sem chão quando após três semans regressa finalmente a sua casa e a encontra já ocupada por outra família e no armário encontra o seu irmão morto, compreendi a sua falta de vontade de viver desde então. A história de Sarah continua a desenrolar-se e os segredos revelados são surpreendentes. Somos tocados não só pela história, mas também pelas palavras, pelas descrições. Impressionou-me tanto que falei deste livro a diversas pessoas, contei-o ao P lavada em lágrimas, vi o filme baseado no livro, revi trailers de vários filmes  sobre o Holocausto e ainda não tive coragem de começar um novo livro. Ainda estou a fazer o luto.



segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

4 - 5 - 4 e 5 outra vez

Nas duas últimas semanas experimentámos uma realidade nova cá em casa, ter apenas uma das manas connosco e a outra a quatro horas de distância, no alto das montanhas, com os colegas da escola, no ski camp.

Na primeira semana despedimo-nos da C e vimo-la partir para uma das semanas mais emocionantes da sua vida. 
Aprendeu a esquiar, passou muito tempo com as amigas (sete no mesmo quarto), teve de ser responsável pelas suas coisas, gerir a roupa que levara (facilitei-lhe a vida pois colocámos na mala uma muda de roupa para cada dia para o ski e para o aprés ski), teve de pôr e levantar a mesa, acordar cedo e, imagino, dormir tarde. Como combinado telefonava todas as tardes, depois do ski, falávamos um pouco, ou melhor, eu fazia-lhe perguntas às quais respondia com um breve sim ou não. Adorou! Acabou por trazer tudo o que levou, excepto uma meia, o que me deixou bastante satisfeita, pois tinha ouvido relatos de mães cujos filhos trouxeram coisas de outros, perderam roupa. Regressou na Sexta-feira, constipada, com asma, mas feliz.


 









Na Terça-feira seguinte, vimos partir a pequena M. Estava um pouco ansiosa pois pela primeira vez estaria longe dos pais vários dias. Com os mais pequenos os pais não podiam falar ao telefone, mas os professores todas as noites registavam num blogue o que acontecera nesse dia e colocavam no site da escola centenas de fotografias. Todas as crianças eram fotografadas diariamente. À noite esperavamos ansiosamente pelo mail que avisava a actualização do blogue e das fotografias. A M foi fotografada muitas vezes, sempre bem disposta, o que nos deixou tranquilos. Tal como a C, aprendeu a esquiar, fortaleceu os laços com as amigas e professores, pôs e levantou a mesa para oito, foi muito responsável com as suas coisas, pois não perdeu nada, até trouxe um par de meias a mais!


Sexta-feira cerca de cem pais esperavam ansiosamente a chegada da pequenada. Nem sei quem estaria mais nervoso, se os pais ou os filhos. Os pais, sem dúvida! Depois de uns valentes abraços, lá regressámos todos a casa, com os  nossos pequenos.










Foi muito bom terem ido, mas também foi muito bom terem regressado!