terça-feira, 29 de março de 2011

De Eduardo Prado Coelho a Jorge Palma

Nos últimos dias tenho andado a pensar mais no nosso país, no que nos espera nos tempos mais próximos. As notícias, que por norma procuram sempre o lado mais negro dos acontecimentos para nos fazerem sentir desesperados, neste momento são piores que nunca e dou comigo a tentar perceber em que curva do destino nos teremos despistado. No meio destas congeminações recordei-me de um artigo de Eduardo Prado Coelho que lera há algum tempo atrás e em cujas críticas me reconheci e nos reconheci enquanto povo. Não posso deixar de o transcrever pois da mesma forma que me perturbou e me fez refflectir, espero que surta o mesmo efeito em quem nos vai acompanhando virtualmente.

"Antes de falecer, em 25 de Agosto de 2007, Eduardo Prado Coelho teve a lucidez de nos deixar esta reflexão sobre nós todos (...).

Precisa-se de matéria prima

A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres.

Agora dizemos que Sócrates não serve.

E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada.

Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates.

O problema está em nós. Nós como povo. Nós como matéria prima de um país.


Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro.

Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais.

Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa,como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos... e para eles mesmos.

Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo,onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.


Pertenço a um país:

-Onde a falta de pontualidade é um hábito;

-Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano.

-Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e, depois,reclamam do governo por não limpar os esgotos.

-Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros.

-Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é 'muito chato ter que ler') e não há consciência nem memória política, histórica nem económica.

-Onde os nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar alguns.


Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas podem ser 'compradas', sem se fazer qualquer exame.


-Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços,ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não lhe dar o lugar.

-Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão.

-Um país onde fazemos muitas coisas erradas,mas estamos sempre a criticar os nossos governantes.


Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado.

Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas.

Não. Não. Não. Já basta.

Como 'matéria prima' de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que o nosso país precisa.

Esses defeitos, essa 'CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA' congénita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até se converter em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é real e honestamente má, porque todos eles são portugueses como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não noutra parte...

Fico triste.

Porque, ainda que Sócrates se fosse embora hoje, o próximo que o suceder terá que continuar a trabalhar com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos.

E não poderá fazer nada...

Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá.

Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, nem serve Sócrates e nem servirá o que vier.


Qual é a alternativa ?


Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror ?

Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa 'outra coisa' não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados... igualmente abusados !


É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda...

Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um messias.Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer.

Está muito claro... Somos nós que temos que mudar.

Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a acontecer-nos:


Desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e,francamente, somos tolerantes com o fracasso.

É a indústria da desculpa e da estupidez.


Agora, depois desta mensagem, francamente, decidi procurar o responsável, não para o castigar, mas para lhe exigir (sim, exigir)que melhore o seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido.

Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO DE QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO. AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO NOUTRO LADO.


E você, o que pensa ?... MEDITE !"

EDUARDO PRADO COELHO, in Público


Esta manhã acordei com um refrão no ouvido que me perseguiu: "Ai Portugal, Portugal / De que é que tu estás à espera?". Depois de almoço, já sentada à frente do computador, pesquisei no You Tube a canção do Jorge Palma que teimava em não me abandonar. Como se fora de propósito encontrei a versão ao vivo de um concerto que o cantor dera no Metro de Lisboa, na estação do Cais do Sodré. Depois de escutar e ler atentamente a letra, fez-se luz. Apesar de nenhum dos dois textos terem sido escritos a propósito da actual situação, um e outro apelam à mobilização de Portugal, referem a necessidade de nós como povo fazermos alguma coisa. Curioso, não?O simbolismo do concerto ter lugar no subsolo, sublinha a necessidade de caminharmos para a luz, de acordarmos, pararmos de queixar-nos e sairmos das profundezas do pessimismo.


Aqui deixo a letra da canção e o link, pode ser que nos inspire a todos!


http://www.youtube.com/watch?v=HXH3IiqRU7o


Portugal, Portugal


Tiveste gente de muita coragem


E acreditaste na tua mensagem


Foste ganhando terreno


E foste perdendo a memória


Já tinhas meio mundo na mão


Quiseste impor a tua religião


E acabaste por perder a tua liberdade


A caminho da glória


Ai Portugal, Portugal


De que é que tu estás à espera?


Tens um pé numa galera


E outro no fundo do mar...


Ai Portugal, Portugal


Enquanto ficas à espera


Ninguém te pode ajudar


Tiveste muita carta para bater


Quem joga deve aprender a perder


Que a sorte nunca vem só


Quando bate à nossa porta


Esbanjaste muita vida nas apostas


E agora trazes o desgosto às costas


Não se pode estar direito


Quando se tem a espinha torta



Ai Portugal, Portugal


De que é que tu estás à espera?


Tens um pé numa galera


E outro no fundo do mar...


Ai Portugal, Portugal


Enquanto ficas à espera


Ninguém te pode ajudar


Fizeste cegos de quem olhos tinha


Quiseste pôr toda a gente na linha


Trocaste a alma e o coração


Pela ponta das tuas lanças



Difamaste quem verdades dizia


Confundiste amor com pronografia


E depois perdeste o gosto


De brincar com as tuas crianças



Ai Portugal, Portugal


De que é que tu estás à espera?


Tens um pé numa galera


E outro no fundo do mar...


Ai Portugal, Portugal


Enquanto ficas à espera


Ninguém te pode ajudar


domingo, 27 de março de 2011

Pérolas da M

Ontem de manhã, a M acordou e quis ir para a nossa cama. Pediu que lhe contasse uma história, a da Branca de Neve, claro. Comecei a contar uma versão bem detalhada.

"Era uma vez uma rainha que não tinha filhos e deseja muito ter um bebé. Um dia estava a bordar junto a uma janela do palácio, picou o dedo na agulha e cairam umas gotas de sangue na neve e então a rainha pediu um desejo: gostaria de ter uma filha branca como a neve, com o cabelo negro como as asas de um corvo e os lábios vermelhos como este sangue..."

A M interrompe e diz: "É o baton, mãe!"

Rebentei a rir e até o P, que estava meio ensonado, não resistiu!

quinta-feira, 24 de março de 2011

Florida rocks!!!

Depois de seis dias alucinantes entre Miami e Orlando, estamos de regresso a Quito, muito mais cansados do que antes de partirmos, mas também mais cheios de bons momentos e experiências enriquecedoras.
O primeiro dia foi dedicado a viajar, primeiro quatro horas de avião até Miami e outras quatro de carro até Orlando. Há que referir que viajar de carro nos Estados Unidos não é comparável a fazê-lo aqui no Equador: estradas muito largas, com várias faixas para cada sentido, poucas curvas e sem buracos. Quase já nem me lembrava que as estradas podiam ser assim!
Alugámos um carro compacto (assim estava postulado no contracto), através da internet, mas aquando da entrega do mesmo a funcionária insistiu repetidas vezes para que optássemos por um maior, deixando-nos, assim, curiosos. Já na garagem, o pequeno carro era um Ford Fusion, bem pequeno, do tamanho de um Renault Laguna, não sei como coubemos todos, com malas, carrinho e afins!!!
Primeiro dia oficial de férias: Magic Kingdom na Disney World.
Toda a magia da Disney que se deseje, basta imaginar e existe nesse chamado reino mágico. Fotos com as personagens preferidas, refeições com as princesas, make overs de crianças em piratas ou princesas por um dia, imensas lojas com uma variedade de recordações, que apela ao desejo miúdo e graúdo e à diminuição da conta bancária . Mas melhor que tudo isso, são as diversões existentes. O Disney World Resort em Orlando impressiona pelo tamanho (é simplesmente gigantesco!), pela forma como está bem cuidado, pela simpatia e sentido de humor dos trabalhadores.

Entrada principal, anunciando um bom prenúncio!


O adorado Pluto- já é bem conhecida a paixão da C e da M pelos cães em geral!



O castelo da Bela Adormecida, claro!



Tapetes voadores do Aladino



O barco do Mississipi, visto da ilha do Tom Sawyer,
que é o maior ídolo destas duas doidas, que teimam em andar descalças para o imitar!




O clássico carrossel - imperdível!




Peter Pan - COOL!



Vejam bem o estilo da miúda com o castelo como pano de fundo!




Durante um espectáculo, com direito a Mickey, Minnie, Bela Adormecida, Branca de Neve, Cinderela, Peter Pan, Capitão Gancho e vários piratas.
Que mais pode uma criança desejar?!

Segundo dia: Kennedy Space Center, em Cape Canaveral.
Muito interessante e interactivo. A C adorou explorar tudo, absorver toda a informação sobre robots espaciais, shuttles e respectivos lançamentos, astronautas, satélites, etc. A mamã experimentou o simulador do lançamento do shuttle e foi fantástico. Apesar de considerar que ao vivo tudo deve ser ampliado, adorei a sensação de velocidade extrema, as reacções que o nosso corpo vai experimentando e no final, já no espaço, a vista da Terra... simplesmente impressionante!

Entrada principal e o logo da NASA


Astronauta...

... e astronautas

" Até ao infinito e mais além!"

Saída triunfal da M da cápsula, com ursinho na mão direita e chucha na esquerda - equipamento completo!

Terceiro dia: Animal Kingdom - mais uma incursão no mundo Disney.
Este parque tem um espírito completamente diferente, o objectivo é mostrar a importância do nosso papel enquanto protectores da natureza e dos animais. Assim, participámos em várias caminhadas por trilhos, onde foi possível ver animais e aprender factos sobre os mesmos, fizemos um pequeno safari pela selva africana, acarinhámos animais e andámos em algumas das atracções.


Durante o safari, a mãe elefante ensina o filhote a rebolar na lama para proteger a pele.



Pocahontas e a natureza, claro!


Pluto, Pateta e as manas - que quarteto!


A árvore da vida, em torno da qual vibra todo o parque.

.
Quarto dia: Sea World
Um parque com o mundo marítimo como tema não podia deixar de ser visitado por uma família portuguesa. Aqui pudemos dsifrutar de experiências incríveis, desde tocar em mantas raias, em golfinhos, ver tubarões a passar mesmo por cima de nós, num aquário bem original, em forma de túnel, assistir a espectáculos de golfinhos, de animais domésticos, sendo que o grande destaque é o show das orcas (daí a mascote do parque ser uma orca, a Shamu). O P ainda conseguiu andar numa montanha russa em que é simulado o "voo" de uma raia por mares agitados. Eu e as pequenas limitámo-nos aos habituais carrosseis e barquinhos.


Shamu



Tubarão e peixes bem em cima das nossas cabeças
(o acrílico deste aquário sustenta um peso igual a 372 elefantes!)



Believe - espectáculo das orcas



No último dia regressámos a Miami. Mais quatro horas de carro, premiadas com uma ida à praia. Água límpida, azul turquesa na zona mais baixa e um azul mais forte ao fundo, temperatura ideal, ou seja, quente! Assim é Miami Beach!






Terminámos o dia com mais quatro horas de viagem, claro!
.
Resta referir que, como somos um pouco inconsequentes, no final de cada dia passado nos parques temáticos, já completamente extenuados, ainda conseguimos reunir forças para fazer compras, pois os preços são inacreditáveis. Crocs por $20, mais ou menos 14€; t-shirts de marcas desportivas por $10 (7 €) , ténis Nike entre $20 (14€) e $30 (21€). Nem o P resistiu! Aliás, pareceu-me diversas vezes o mais entusiasmado da trupe, o que quase não dá para acreditar.













quarta-feira, 16 de março de 2011

Finalmentes

Agora sim, é oficial. Cinco meses depois de comprarmos o nosso carro, temos finalmente matrícula. YES!!!
Como é possível demorar tanto tempo, como é possível entre Janeiro e Março não se produzirem matrículas por falta de matéria prima?!
Enfim, assim é o Equador cheio de coisas inacreditáveis, quer positivas, quer negativas.
Sexta-feira vamos finalmente partir para umas curtas férias de seis dias para Miami e Orlando. Os planos incluem ida à praia em Miami e algumas compras, dois dias nos parques da Disney World, um dia no Sea World e um dia no Kennedy Space Center. Já estamos em contagem decrescente, a M pergunta constantemente "É agoa que vamox à Nisney?", a C já começou a escrever o seu diário de bordo, mas por enquanto ainda só referiu os preparativos da viagem. O P já lá está em reuniões e sexta à hora do almoço estaremos todos juntos para seis dias alucinantes.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Língua Portuguesa

Não tenho uma opinião definitiva sobre o novo acordo ortográfico, mas confesso que há algumas mudanças que me irritam, por exemplo a palavra óptimo ao perder o p parece que perde pujança e deixa de ser óptimo para ser apenas ótimo!
No meu quarto ano de faculdade, numa cadeira denominada História da Língua Inglesa, estudámos e analisámos as diferenças existentes entre o Inglês Britânico e o Inglês Americano, mas mais interessante foi perceber por que razão ocorreram. Os Estados Unidos da América, enquanto nação, respiravam prosperidade, sucesso, mas faltava-lhes uma identidade linguística, um idioma que fosse só seu e que representasse o país, não uma língua vivendo na sombra do antigo colonizador. Assim, não podendo inventar uma nova língua, reinventaram-na, introduziram-lhe algumas alterações, tornaram-na única, sua. Foi desta forma que colour perdeu o o porque não se pronunciava, recognise passou a escrever-se com z em vez de s, só para dar breves exemplos.
Nós, pelo contrário, queremos deixar de lado o que torna a nossa variante do Português única, em nome de uma uniformização das várias variantes. Será que até aqui os falantes do português de diferentes origens não se entendiam? Não me parece.
Parece-me, pelo contrário, muito mais interessante e enriquecedor haver várias formas de denominar a mesma realidade ou existirem realidades para nós desconhecidas que encontram denominação noutra variedade da nossa língua.
A título ilustrativo de que os falantes do português conseguem entender-se independentemente da variedade utilizada, segue-se uma reprodução de um email que recebi hoje, que além de mostrar quão rica é a língua poruguesa, é um elogio à mesma e não está escrito em português de Portugal.

O que falta no texto abaixo?
NÃO OLHE A RESPOSTA.
VEJA SE VOCÊ DESCOBRE O QUE ESTÁ FALTANDO NO TEXTO....

A resposta está no final.

Sem nenhum tropeço, posso escrever o que quiser sem ele, pois rico é o português e fértil em recursos diversos, tudo permitindo, mesmo o que de início, e somente de início, se pode ter como impossível. Pode-se dizer tudo, com sentido completo, como se isto fosse mero ovo de Colombo.
Desde que se tente sem se pôr inibido, pode muito bem o leitor empreender este belo exercício, dentro do nosso fecundo e peregrino dizer português, puríssimo instrumento dos nossos melhores escritores e mestres do verso, instrumento que nos legou monumentos dignos de eterno e honroso reconhecimento
Trechos difíceis se resolvem com sinônimos. Observe-se bem: é certo que, em se querendo, esgrime-se sem limites com este divertimento instrutivo. Brinque-se mesmo com tudo. É um belíssimo esporte do intelecto, pois escrevemos o que quisermos sem o "E" ou sem o "I" ou sem o "O" e, conforme meu exclusivo desejo, escolherei outro, discorrendo livremente, por exemplo, sem o "P", "R" ou "F", ou o que quiser escolher. Podemos, em estilo corrente, repetir sempre um som ou mesmo escrever sem verbos.
Com o concurso de termos escolhidos, isso pode ir longe, escrevendo-se todo um discurso, um conto ou um livro inteiro sobre o que o leitor melhor preferir. Porém mesmo sem o uso pernóstico dos termos difíceis, muito e muito se prossegue do mesmo modo, discorrendo sobre o objeto escolhido, sem impedimentos. Deploro sempre ver moços deste século inconscientemente esquecerem e oprimirem nosso português, hoje culto e belo, querendo substituí-lo pelo inglês. Por quê?
Cultivemos nosso polifônico e fecundo verbo, doce e melodioso, porém incisivo e forte, messe de luminosos estilos, voz de muitos povos, escrínio de belos versos e de imenso porte, ninho de cisnes e de condores.
Honremos o que é nosso, ó moços estudiosos, escritores e professores. Honremos o digníssimo modo de dizer que nos legou um povo humilde, porém viril e cheio de sentimentos estéticos, pugilo de heróis e de nobres descobridores de mundos novos.
Descobriu?


O texto não tem letra A.


A propósito destes jogos de linguagem, há um livro que contém imensas sugestões para encarar a escrita de forma divertida e construtiva. Destina-se a todos, sem limite de idade, apenas é necessário que consiga escrever. Popõe-se actividades muito diferentes, que vão desde escrever um texto sem uma determinada letra (como o texto em cima), até recontar uma história tradicional de uma forma aborrecida ou com suspense, por exemplo. O importante é que ao ultrapassar os obstáculos apresentados em cada exercício, cada escritor vai ter de recorrer a capacidades que não domina tão bem, mas vai fazê-lo de forma divertida e útil. O resultado é começar a escrever com mais facilidade e mais ideias.
Comprei este livro porque a professora que há em mim adora estes temas. Revelou-se uma boa compra, pois não só é muito interessante, como também algumas das actividades propostas têm ajudado a C a sair da sua zona de conforto (escrever sobre as brincadeiras com a irmã ou a cadela) e ir um pouco mais além. Claro que o domínio da escrita por parte da minha filha mais velha ainda é muito ténue, mas à medida que for crescendo assim poderão variar as actividades realizadas.
Quero Ser Escritor - Manual de escrita criativa para todas as idades, de Margarida Fonseca Santos e Elsa Serra, editado pela Oficina do Livro


























quinta-feira, 10 de março de 2011

Introspecções da M

A nossa M tem três anos e é muito crescida, como a própria teima em sublinhar repetidas vezes ao dia, por isso, para além de explorar o mundo que a circunda, começou também a olhar para o seu lado interior.Ontem foi um dia profícuo em afirmações de índole mais pessoal.
Depois do banho, já vestida e bem besuntada de creme hidratante pela mamã, a M estava em frente ao espelho colocando camada após camada de creme na cara. Perguntei-lhe porque estava a pôr tanto creme, ela olhou para mim e com um ar muito sério respondeu-me: "Porque sou vaidosa!". Eu e a C rebentámos de rir - imagine-se o piolho!
Mais tarde, durante o jantar, a meio da sopa, a M recostou-se na cadeira e suspirou profundamente. Estranhando a atitude, indaguei: "O que foi, filha?"; ao que ela respondeu: "Estou a pensar na minha vida!". Ainda lhe perguntei em que estava a pensar concretamente, mas não foi capaz de explicar. Não sei se ouviu a expressão em algum lugar, mas não deixa de ser curioso ouvi-la da boca de uma pirata de tão tenra idade!

quarta-feira, 9 de março de 2011

Fim de semana caseiro

Terminou hoje um fim de semana grande de quatro dias. Já voltámos todos às rotinas semanais, o que deixa sempre uma pontinha de nostalgia, pois como ficámos mais por casa passámos muito tempo juntos, sem correrrias, disfrutando apenas.
O tempo estava meio cinzento, com alguma chuva à mistura, o P lesionado pela primeira fase do implante do dente que resolveu partir-se, por isso, dedicámo-nos a ver desenhos animados, jogar Wii, falar com a família pelo Messenger até se esgotarem os assuntos, almoçar e jantar com amigos cá em casa, cozinhar sem pressas, com prazer, incluindo variadas sobremesas (lá se vão as horas gastas no ginásio!).
Este já passou, que venham outros assim, deliciosos, mas intervalados com outros de descobertas e aventuras!

sábado, 5 de março de 2011

Finalmente é Sábado

"Nunca mais é Sábado!": passei toda a semana com esta frase na cabeça.
Não sei por que desígnios, mas parece que tudo convergiu nos passados cinco dias. Para além das actividades habituais que já não me deixam muito tempo livre, esta semana assisti a duas apresentações da turma da C, uma reunião com as suas professoras e ainda fui ler duas histórias à sua turma; para terminar passei metade da uma manhã de sexta-feira na turma da M fazendo bolachas de aveia com a pequenada.
Apesar de adorar todas as efemerides referidas (com excepção da reunião), o difícil foi conjugar os horários dos eventos com as minhas idas e vindas a Quito, as sestas e almoços da M, a determinação em ir o maior número de vezes ao ginásio, fazer as compras semanais sem a companhia das minhas princesas que, no final de um dia de escola, têm pouca paciência para os corredores do supermercado.
Por isso, hoje, posso dizer "Finalmente é Sábado!!!"