segunda-feira, 30 de maio de 2011

Manta e arredores

Depois de quatro dias na praia, na zona de Manta, na costa Equatoriana, a minha grande conclusão é que gosto mais do nosso Algarve!
Eu sei que não estamos no Caribe, com praias e areia branca e fina, com águas transparentes, em vários tons de azul. Também sei que o facto de o sol não ter dado um ar da sua graça, não contribuiu em absoluto.
As praias que visitámos têm areia escura, devido às cinzas dos vulcões e não é possível ver o fundo do mar  por causa da cor da areia. Claro que a temperatura da água é excelente, corresponde a um verdadeiro dia de sopa no sul do nosso país, contudo as praias estão num estado ou demasiado selvagem ou muito pouco cuidadas em termos de limpeza e isso, confesso, que me choca.
Ainda há muita costa para descobrirmos e obviamente que estes quatro dias foram aproveitados ao máximo, com muitos mergulhos, muitas boleias de ondas, muita piscina, boa companhia e comida a condizer.
A aventura começou logo na viagem de ida num avião que faz lembrar um daqueles filmes em que um avião semelhante a este acaba por despenhar-se numa ilha isolada e os sobreviventes passam por uma série de peripécias até serem salvos.

A máquina voadora

A caminho da praia Los Frailes, com o mar a acompanhar-nos

Ainda a caminho (como sempre tudo demora muito tempo neste país!)


Los Frailes, vista panorâmica


Areia...


e água - eternos aliados das crianças



Puerto Lopez - chegada dos barcos de pesca


Construções na areia em Puerto Lopez, com ajuda da R


No caminho de regresso... praia  envolta numa neblina quase misteriosa


Megulho C


Mergulho M

M ostentando os seus óculos de mergulhar oferecidos pelo pai e que a par da chucha e da ovelha de dormir, são um  dos seus objectos de culto
(até já os levou postos para o restaurante!)


Posto isto, ver o mar, ouvir as ondas,  por si só já é motivo de felicidade para qualquer português do litoral. Olhar para aquele azul interminável aplaca-nos a alma, tranquiliza-nos e faz-nos sentir em casa. Por outro lado, que saudades do cheiro de nosso mar, de chegar à Ericeira e o mar entrar por nós a dentro.

Ao regressar a casa, fomos presenteados com uma noite de vómitos e uma ida ao pediatra no dia seguinte. É o que dá dizer mal de terra alheia! Lol!

terça-feira, 24 de maio de 2011

Premières

Mais uma semana de estreias!
Ontem a M foi pela primeira vez ao dentista. Portou-se super bem, foi uma valentona. Fez um pequeno tratamento e uma limpeza sem nunca se queixar, sem ter medo. Segurando o espelho que a doutora lhe dera foi seguindo atentamente todos os passos. Estou muito orgulhosa! Há que referir que a odontopediatra foi fantástica, antes de todos os procedimentos explicou-lhe o que iria fazer e demonstrou alguns deles na mamã. Os diversos produtos que utilizou eram, obviamente, os preferidos das princesas, sobretudo da Branca de Neve.
Pela primeira vez, também, estou a ler um livro de Mario Vargas Llosa e a adorar. Depois de pedir algumas sugestões via Facebook a escolha recaiu sobre Travesuras de la niña mala (sim, estou a ler em espanhol, o que também é uma estreia!). Mais uma vez obrigada pelas dicas amigas e amigo!
O meu fascínio pelos autores latino-americanos já vem de longe - adoro Isabel Allende, Gabriel Garcia Marques, Luís Sepúlveda, Laura Esquivel, Pablo Neruda, Jorge Amado, Carlos Drummond de Andrade, Paulo Coelho, Cecília Meireles - e acho que acabo de juntar mais um autor ao rol de incontornáveis.
Para finalizar as estreias iremos finalmente conhecer algumas  praias do Equador. Como o fim de semana que se avizinha é prolongado vamos até Manta, na costa. Uns bons mergulhos no Pacífico!

terça-feira, 17 de maio de 2011

O poder das palavras

Dizem que uma imagem vale por mil palavras, mas eu não estou completamente certa disso. Continuo a pensar que as palavras têm um poder enorme e confesso que me sinto plena quando elas me emocionam.
Eu que até sou de lágrima fácil, é muito comum chorar ao ver um filme, em cenas que apelam à emotividade, ao sentimento. Chorar a ler um livro, um poema é mais difícil. Mas alguns autores já conseguiram, pela força das palavras, pelo que narraram de forma tão intensa, pelo tanto de si que puseram no que escreveram, pela verdade ou verosimilhança dos sentimentos transmitidos, arrancar-me algumas, senão muitas, lágrimas.
Na semana passada aconteceu-me duas vezes. 
Primeiro, enquanto pesquisava na internet um poema de Sebastião da Gama sobre a maternidade, para transcrever para a K que estás prestes a ser mãe, tropecei num poema de Miguel Torga, intitulado Mãe. É um poema brutal sobre a morte de uma mãe. É terrivelmente realista, triste e devastador. Ao lê-lo senti-me como se, também eu, naquele momento tivesse acabado de perder a minha mãe e chorei... muito.

Mãe
Mãe:
Que desgraça na vida aconteceu,
Que ficaste insensível e gelada?
Que todo o teu perfil se endureceu
Numa linha severa e desenhada?

Como as estátuas, que são gente nossa
Cansada de palavras e ternura,
Assim tu me pareces no teu leito.
Presença cinzelada em pedra dura,
Que não tem coração dentro do peito.

Chamo aos gritos por ti — não me respondes.
Beijo-te as mãos e o rosto — sinto frio.
Ou és outra, ou me enganas, ou te escondes
Por detrás do terror deste vazio.

Mãe:
Abre os olhos ao menos, diz que sim!
Diz que me vês ainda, que me queres.
Que és a eterna mulher entre as mulheres.
Que nem a morte te afastou de mim!

Miguel Torga, in 'Diário IV'


No Sábado à noite enquanto terminava de ler o livro O Diário da Nossa Paixão, de Nicholas Sparks, chorei baba e ranho. É uma história de amor, como já nos acostumou o autor, mas uma que se prolongou durante toda uma vida e que na velhice dos protagonistas toma forma de pequenos milagres, quando a protagonista, sofrendo de Alzheimer, em breves momentos de lucidez consegue recordar-se de quanto ama o seu marido, que diariamente lhe lê o diário da paixão de ambos, numa tentativa de não deixar morrer ou cair no esquecimento esse amor tão grande. É triste, mas simultaneamente é um hino ao amor eterno, se é que ele existe.
Não sei se é da idade, se estou a ficar lamechas... mas, por vezes, as palavras certas exercem um grande poder sobre mim.

sábado, 14 de maio de 2011

Tudo está bem quando acaba bem!

É melhor não fazer grande publicidade, não vá o diabo tecê-las, mas com excepção da máquina de lavar loiça, tudo está a funcionar nesta casa. 
Durante a semana, para além do já mencionado no post anterior, há que referir que o micro ondas também avariou e foi substituído por outro, que nos chegou sujo de gordura. A máquina de secar também foi subsituída, mas a que nos foi entregue tinha um pedaço de sabão em  barra incrustado que obviamente derreteu na primeira secagem que fizemos, deixando a roupa cheia de coisas estranhamente azuis, que felizmente saíram depois de duas lavagens! Obviamente que estes dois eventos que aconteceram no mesmo dia tiveram como resultado um telefonema bem enfurecido para a companhia de aluguer de electrodomésticos, que se apressou a resolver tudo..
Tudo isto aconteceu na quinta feira, depois de uma manhã passada numa grande azáfama, ultimando os preparativos para o almoço de reconhecimento aos funcionários da escola, organizado pela associação de pais. Coisa pouca, almoço para 240 pessoas. Ainda durante a manhã, foi possível dar um pulo à sala da C para ler uma história, que, pelas gargalhadas, foi do agrado da audiência.
Sexta feira de manhã, pôr mesas, limpar pratos, copos, talheres, organizar a comida doada por muitos dos pais da escola e... primeira festinha da sala da M.
Os pais dos alunos da sala das Fragatas, foram convidados para um pequeno almoço a fim de celebrar o dia da mãe e o dia do pai. A M e os seus coleguinhas cantaram uma canção em espanhol e outra em inglês para um grupo de pais enternecidos e super orgulhosos. Ofereceram um caderninho de apontamentos às mamãs e um desdobrável para pôr na secretária aos papás, tudo feito pela pequenada. Uma doçura, como se pode imaginar.

Para terminar o dia em grande, baby shower em casa da S, para a mamã K que está quase, quase a ver a J cá fora. Foi uma festa surpresa, super bem planeada, que cumpriu o seu objectivo, surpreendeu a mamã, que chegou à festa de havaina no pé! Decorações, doces tudo alusivo a bebés, claro. No final a K abriu os presentes de olhos vendados, tendo de adivinhar o que era cada um. Muito divertido e as pequenas também gostaram muito de passar uma longa tarde com amigas e amigos.


terça-feira, 10 de maio de 2011

Um dia a casa vem abaixo

Mas quando é que tudo isto vai terminar?
Hoje finalmente veio o canalizador, que descobriu que alguém havia colocado canalização nova, mas deixara a antiga destapada e ligada no lavatório da casa de banho de serviço, por isso saía água da parede quando a L lavava as mãos! Só ma apraz dizer: "E esta hein?!"
Também hoje veio o técnico da máquina de lavar que entretanto deixara de torcer a roupa. Reparou-a e como insistimos, pela terceira vez, que a máquina de secar tem alguma personalidade e só se deixa ligar quando lhe apetece, resolveu fazer uma revisão mais a sério e descobriu que o tambor está estragado, pois havia roupa entalada num qualquer sítio. Curiosamente três meias, duas da C e uma que não pertence a ninguém desta família, pelo que calculo que já esteja na máquina há pelo menos 9 meses, pois alugámo-la em Agosto. Levaram a máquina para reparar, mas não trouxeram outra. Disseram que quinta-feira irão trazer outra. Cedo, lá pelas onze da manhã, disse-me a senhora do escritório. Incrível!
Continuamos com a máquina de lavar loiça avariada e não sei por quanto tempo ficará assim, porque talvez seja necessário encomendar uma peça dos EUA.
Parece um remake de Um Dia a Casa Vem Abaixo, mas confesso que não me tem perecido nada cómico!

domingo, 8 de maio de 2011

Eu diria antes... "O que o mundo precisa de saber sobre Portugal"

Imperdível o video apresentado nas conferências de Cascais, intitulado "O que os filandeses precisam de saber sobre Portugal". Eu diria, "O que o mundo precisa de saber sobre Portugal", pois somos de facto uma nação com um passado muito rico,que ao longo dos séculos contribuiu significativamente para o avanço de todos , que sempre soube ser solidária, apesar das dificuldades que muitas vezes enfrentava, que tem muitos defeitos, mas sempre foi considerada uma nação de brandos costumes e acolhedora. 
Temos coisas muito boas no nosso país, das quais deveríamos estar muito orgulhosos e as quais deveríam ser mais divulgadas, para que o mundo nos conheça: o nosso vinho, o nosso azeite, a nossa gastronomia, o nosso artesanato, a nossa história, os nossos cientistas que desenvolvem um trabalho fantástico dentro e fora de Portugal, a nossa música, os nossos artistas plásticos, os nossos escritores, os nossos actores, a nossa gente.
Portugal sempre!

http://youtu.be/XXw5fMIYGqg

segunda-feira, 2 de maio de 2011

"It's just another manic Monday!"

Hoje de manhã fez-me lembrar os primeiros dias que passámos nesta casa, esperando  e desesperando por técnicos de várias áreas, para arranjar diversas coisas que não estavam nas condições adequadas.
No jardim estava o jardineiro terminando de podar as árvores, trabalho iniciado pelo P ontem à tarde, mas que devido à necessidade de uma poda radical, não conseguiu terminá-lo. Eram tantos ou tão poucos ramos e troncos que o jardineiro teve de pedir ajuda a um senhor para carregar tudo numa camioneta, que encheu por duas vezes. Claro que a meio da manhã o senhor foi chamado para outra coisa e só perto das cinco da tarde veio terminar o trabalho.
Como a máquina de lavar roupa que temos alugada não lava muito bem, ou melhor, nada bem, pedi à empresa de aluguer que a trocasse por outra, ficaram de vir ao meio dia e não se atrasaram muito. Puseram-na a trabalhar e tudo funcionou bem, mas depois de sairem tentámos fazer um programa e tudo correu mal: o botão de ligar e desligar não funciona bem, a máquina enche -se e esvazia-se de água várias vezes sem que percebamos porquê e no final do ciclo a roupa fica encharcada. Amanhã está prevista a visita de um técnico para arranjar o botão de ligar e desligar da máquina de secar, que por vezes faz greve e não quer ligar-se, por isso vamos pedir-lhe que dê uma olhadela à máquina de lavar.
Entretanto temos a máquina da loiça avariada há duas semanas e estamos à espera da visita do técnico, que levou a peça avariada para arranjar e prometeu vir hoje à tarde (mas não veio) ou amanhã de manhã. Já me disse, contudo que, se a peça não funcionar, terá de mandar vir uma nova do Canadá, o que deve demorar cerca de dois meses.
Para terminar, um reboque ficou de vir buscar o carro do P esta manhã depois do susto de sexta-feira, em que fiquei sem travões a descer de Quito para Cumbaya. Curiosamente não foi há muito tempo que o carro foi à revisão e o incidente prendeu-se com uma fuga que originou a perde do óleo de travões! Completamente em pânico, optei por continuar a andar e consegui chegar ilesa a casa, muito devagar, com a mão no travão de mão e deixando uma distância muito grande do carro da frente, pois o medo de ter um acidente foi suplantado pelo medo de ficar parada em plena via rápida, sem berma para estacionar, à espera de um táxi. Das duas uma, ou batiam no carro (tendo em conta a condução local) ou quando eu me fosse embora provavelmente rouba-lo-íam! Não sei, a verdade é que voltar para casa pareceu-me na altura  a melhor decisão. Enfim, o reboque veio, levou o carro e agora há que esperar que resolvam o problema.
It's just another manic Monday, yeh, yeh!

Festival Internacional

Pela 35ª vez, a escola das pequenas realizou o festival internacional, que consiste numa espécie de celebração das diferentes nacionalidades existentes na escola. Assim, todos ou quase todos os países têm à sua disposição uma tenda (ou metade de uma tenda) que decoram com as cores do seu país, bandeiras, imagens, o que quiserem a fim de o divulgar. Do mesmo modo cada país prepara um ou mais pratos típicos ou sobremesas para vender e o dinheiro arrecadado reverte uma parte para caridade e outra para melhorias na escola.
Inicialmente não nos tinham contactado, pois somos apenas uma família portuguesa e o evento envolve muito trabalho. Mas eu pensei no assunto e fui falar com a organizadora e disse-lhe que também gostaríamos de estar representados.
Ficou decidido que partilharíamos a tenda com Espanha, que apenas iría vender paella, por isso teria espaço disponível. Foi -me sugerido que fizesse algo pouco complicado e salgado, visto que as opções doces eram em grande número.
Pensei nos eternos pasteis de bacalhau, mas aqui não há bacalhau igual ao nosso; os rissois também mereceram a minha consideração, mas a dificuldade e o tempo de preparação pareceram-me um obtáculo; por isso optei pelos peixinhos da horta, que me pareceram fáceis e rápidos de preparar.
Foi-nos, também, proposto que doássemos a bandeira de Portugal à escola, para que fosse hasteada numa pequena cerimónia, já que somos a primeira família portuguesa a frequentar a Academia Cotopaxi.
Depois de duas semanas passadas em preparativos, que incluíram, encomendar a bandeira;imprimir pequenas bandeirinhas e colá-las em palitos;reunir todos os cachecois, bonés e t-shirts de Portugal resultantes do Euro 98 na Suiça;escolher, imprimir e plastificar imagens de alguns dos lugares mais fantásticos de Portugal; comprar uma toalha de mesa verde, guardanapos vermelhos, balões verdes e vermelhos, pratos e garfos de plástico,este Sábado levámos a cabo o projecto.
Decorámos a banca, fomos abordados por algumas pessoas que já conheciam o nosso país (um americano perguntou-me pelos pasteis de nata;outro disse que faltava uma foto do lugar mais bonito de Portugal, Óbidos; duas venezuelanas cujos pais eram portugueses quiseram tirar uma foto comigo em frente à tenda e reconheceram alguns dos lugares que elegemos) e por outras que sem o conhecer gostaram de ver as fotos; vendemos todos os peixinhos da horta e houve até quem me pedisse a receita.






Várias perpspectivas da banca/tenda



 Cerimónia da doação da bandeira



 M super patriota com lenço de Portugal e equipamento do Benfica



C igualmente patriota com a mesma vestimenta, jogando um dos jogos disponíveis


A C e a sua colega N, na banca do Reino Unido, posando numa foto do casamento real, mas o de Carlos e Diana!

Balanço final: valeu bem a pena todo o trabalho desenvolvido!