sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Um ano depois

Há precisamente um ano, este foi um dia muito especial no Equador, de muita tensão, nervosismo, conflitos, vítimas mortais, felizmente poucas: assinala-se hoje o primeiro aniversário da tentativa de golpe de estado, por parte da polícia.
Durante o dia, na rádio, as emissões giraram à volta de testemunhos de pessoas que estiveram directamente envolvidas nos acontecimentos, realçando, claro, as forças armadas que resgataram o presidente; também foram ouvidos os familiares das vítimas, que, sensatamente, procuram justiça e não vingança e cujas mensagens foram essencialmente de paz.
No centro de Quito, às quatro da tarde teve lugar uma mega manifestação de apoio ao presidente, bem organizada, com muito policiamento e gente vinda de diversas partes do país.
Apesar dos frequentes rasgos de inspiração do presidente, que toma decisões que muitos não compreendem; e da sua impulsividade, parece (até ver) que tudo está democraticamente tranquilo.
Claro que esta foi uma excelente oportunidade para o governo fazer propaganda, já que se sentia bastante apoiado pelo povo. Assim, na rádio, podia ouvir-se algo como:

"E foi assim que homens e mulheres indefesos salvaram uma democracia!"

Pelo sim, pelo não, a escola da C e da M decidiu que todos saíam ao meio dia... não fosse o diabo tecê-las e a coisa dar para o torto. Não podemos esquecer-nos que é uma escola americana e por isso há sempre alguma paranóia!
Para nós cá em casa foi óptimo: fez-se menos uma viagem a Quito, almoçamos as três juntas, fizemos uns jogos de matemática, fomos ao parque e tudo sem correrias.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Filhos de um Deus Menor

Filhos de um Deus Menor é um filme extraordinário, já com alguns anos,que conta a história de uma surda com problemas emocionais fortíssimos e do professor que tem por tarefa ensiná-la a falar. É uma envolvente história de amor, que passa muito para além das palavras e que mostra que mesmo quando temos de mover montanhas, é possível ultrapassarmos as nossas dificuldades.
Foi um filme que me tocou, emocionou, mas cujo título sempre me pareceu injusto.

Não são filhos de um deus menor aqueles que nascem com algum problema, pois normalmente são seres humanos dotados de uma força interior incrível, com uma capacidade de luta e resistência admiráveis, com uma esperança interminável, capazes de inspirar os que os rodeiam e dar-lhes força para vencer a batalha seguinte.

Por isso, prefiro chamar filhos de um deus MAIOR a todos aqueles que lutam diariamente contra incontáveis adversidades e a quem as pequenas coisas da vida (que são afinal as mais importantes) enchem de felicidade e lhes dão ânimo para continuar.

Este post é dedicado à L, ao C e ao D.



segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Delícias nocturnas

Só para que fique registado, porque com frequência coisas destas acontecem e nem sempre as recordamos a longo prazo, esta noite, quando me despedi da M na hora de dormir, ela disse-me:

Mummy, eu love you te!

Não é uma doçura?!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Molduras digitais

Esta manhã,enquanto fazia a minha sessão diária de Wii Fit, no meio de alguns abdominais ou coisa do género, o meu olhar parou na nossa moldura digital.
Acompanha-nos (quase) desde que deixámos Portugal e tem sido uma presença muito importante na nossa sala de estar, pois seja o que for que estejamos a fazer, quando reparamos na fotografia que está a ser mostrada, deixamo-nos ficar um pouco a vê-la, à espera da próxima, pois sabemos que alguém de quem gostamos vai aparecer em seguida. Às vezes são os meus pais, às vezes os meus avós,  a C e a M, a restante família mais chegada, os amigos, os lugares que temos visitado nestes últimos quatro anos.
É fantástico ver como a pequenada cresceu, como vamos mudando ao longo do tempo, os bons momentos que partilhámos com todos os que nos visitaram e como a magia de uma fotografia faz com que atravessemos o atlântico e já não estejamos longe.
Por isso, obrigada a todos que fazem parte da nossa vida e que através das fotografias encurtam as distâncias.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Brunch e boa companhia

No meio das correrias habituais sabe bem um momento de descanso. Hoje, depois de uma atarefada reunião do PTO (Parent Teacher Organization), onde se definiram e distribuíram tarefas para o evento que se aproxima, juntei-me a um grupo de amigas para um delicioso brunch, em casa da D.
Para além da boa companhia, da excelente comida e bebida, é sempre bom quebrar a rotina, "bater um papo" e rir bastante.



Depois voltamos à loucura do dia a dia, mas mais leves, menos preocupadas.

Como estamos numa semana exclusivamente feminina cá em casa, pois o P está em Buenos Aires e só regressa Sábado, estas distracções ajudam a que o tempo passe mais depressa. Detesto estas viagens, pois roubam-nos os nossos momentos, as maluqueiras e gargalhadas da C e da M com o pai, os nossos serões a quatro e, depois das pequenas irem dormir, a dois.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

O grupo do parque

Algumas das vantagens em ser expatriado passam pela possibilidade de viver noutro país ou países, pois isso permite-nos conhecer e partilhar outros hábitos, outras culturas, viajar bastante e conhecer pessoas novas. 
É um facto que quase sempre os expatriados acabam por ter por amigos outros expatriados, talvez porque têm algo em comum, todos estão longe das  suas terras natais e todos têm uma perspectiva externa sobre o país e a sociedade onde estão inseridos, o que, garanto, é assunto para horas de conversa.
Esta breve reflexão vem a propósito de um grupo interessante que agora se reúne da parte da tarde no parque infantil: uma italiana, uma alemã, uma brasileira e uma portuguesa (eu, claro!) e os respectivos filhos que ora falam em espanhol, ora em inglês, ora em português entre eles. São muito interessantes as vivências de cada uma, a partilha de experiências, as dicas de quem vive cá há mais tempo, etc. As conversas que vamos tendo permitem-nos conhecer outras realidades, (uma das senhoras viveu no Vietnam, outra na Holanda e na Venezuela) e assim estabelecer comparações, paralelos, imaginar como seria viver nesses lugares. No meio disto tudo, vamos dando uma olhadela à pequenada e participando em algumas brincadeiras.
Curiosamente,é estranho não ver muitas famílias equatorianas num lugar tão tranquilo, bem verde e com várias diversões para os pequenos, já que em Quito nem sempre é seguro estar num parque infantil ou num jardim. Somos sobretudo nós, os estrangeiros, que o frequentamos e algumas amas que trazem os seus meninos para brincar um pouco ao ar livre.


terça-feira, 13 de setembro de 2011

Rotinas escolares

Mais uma semana fresquinha, acabadinha de começar!
Como a M já não quer dormir a sesta, aproveitamos o tempo que temos entre o almoço e a hora de ir buscar a C para ler histórias, fazer letras e números, desenhar, pintar e brincar. Que delícia ver a pequena M concentradíssima unindo pontos até formar uma letra, desenhando meticulosamento o 0 e o 1 (os únicos números que já consegue desenhar!), pintando quase sem saír do risco.
A C, moça bem mais crescida, chega a casa da escola, lancha e depois lê durante quinze minutos um livro em espanhol e durante outros quinze um livro em inglês - tem estado a ler o Feiticeiro de Oz e a adorar - às vezes também traz actividades de matemática e faz quase sempre alguma coisa de língua portuguesa. Agora que a turma da C tem um blogue, também aproveitamos para dar uma espreitadela para ler os novos comentários ou escrever um novo post.
Depois disto, corremos para o parque para brincar, o que também é muito preciso. As manas levam sempre as suas bicicletas e eu levo a B, para a última passeata do dia.

Adoro poder partilhar estes momentos com as minhas filhotas!

P.S. Ontem a C teve um acidente de bicicleta, chocou com o seu amigo L. :(
Tem um galo na cabeça, uma esfoladela na testa, outra no lábio e outra no braço. Pior do que isso, fez uma trinca (palavra usada pela dentista para descrever uma espécie de estaladela oblíqua) num dos dentes da frente. Está com Brufen, porque tem algumas dores, fez uma radiografia e uma sessão de laser. Segunda-feira irá fazer outra sessão de laser e seguem-se radiografias anuais, para verificar o estado da lesão. Em breve voltará a poder andar de bicicleta, pois durante uma semana devemos garantir que não acontece nada de mais radical ao dente.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Ainda as férias

Apesar do capítulo das férias estar temporariamente encerrado, não posso deixar de partilhar a última viagem que fizemos com os meus pais a Quilotoa, uma cratera de um vulcão que está cheia de água, num tom azul turquesa.
A viagem durou cerca de três horas e meia, mas não foi de todo aborrecida. As miúdas entretiveram-se a ver filmes, enquanto os graúdos testemunhavam as habituais loucuras que se observam nas estradas equatorianas. Contudo, desta feita, tivemos a oportunidade  de ver algo inimaginável.
Na ida, durante um ou dois quilómetros, fomos atrás de uma carrinha de nove lugares, que para além de transportar perto do dobro das pessoas, também transportava galinhas no tejadilho. Tudo seria normal se as galinhas estivessem em caixas ou algo assim, mas não, os pobres animais íam atados aos ferros do porta bagagens do tejadilho e pelo menos umas duas galinhas já estavam mortas. Uma crueldade imensa.




No regresso, em Latacunga, passamos por uma carro que tinha o porta bagagens a transbordar de... erva! Infelizmente a foto não ficou muito boa.



Mas, para não ficarmos tristes, mais à frente, já a noite caíra, vimos outro carro cheio de erva, não no porta bagagens, mas no banco traseiro! Inclusivamente pode ver-se alguma erva por baixo da porta.




Claro que, as perseguições aos carros para tirar uma fotografia  para mais tarde recordar (se não forem as fotos os nossos netos jamais acreditarão que estas coisas realmente aconteceram!) também acrescentam adrenalina ao acontecimento.

Escusado será dizer que, a cratera Quilotoa nos maravilhou pela sua majestosidade e beleza. Infelizmente, estava um frio de rachar, cerca de seis graus; e, optámos por um almoço reconfortante à lareira, em vez da descida até à lagoa e subsequente subida em mulas, como fizeramos há uns meses atrás.







Nota: o primeiro dia oficial da M correu muito bem, adorou ir à escola e estava super orgulhosa pois recebeu um diploma por ter tido um excelente primeiro dia de aulas e um autocolante onde se podia ler Great Work.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Regresso às aulas

Regresso às aulas... não é no Continente, é aqui mesmo em Quito!
Mais um novo ano lectivo que teve hoje o seu primeiro dia. Revemos caras que já não víamos há dois meses e meio, os habituais cumprimentos e perguntas sobre as férias, ora em inglês, ora em espanhol e os quilómetros do costume.
A C conheceu a nova professora e gostou, adorou voltar a brincar com os colegas e assim que chegou a casa foi logo fazer os trabalhos, mesmo antes de lanchar!
A M, que agora já está na pré-escola, teve o que foi chamado de dia de visita. Conheceu as novas professoras, brincou com tudo o que lhe apeteceu na sala de aula, pintou, fez animais de plasticina, durante duas horas e meia e na companhia da mamã. Amanhã será o primeiro dia oficial, em que a mãe fica na porta e diz até logo. Penso que vai correr tudo bem, mas pelo sim pelo não, durante o dia de hoje, fui referindo que amanhã a mãe não ficará na sala de aula, mas irá buscá-la antes do almoço.

Em jeito de anedota, não posso deixar de contar um breve episódio que aconteceu neste primeiro dia,  enquanto esperava pela saída da C.
Estava a M a fazer sons como um ratinho, enquanto eu lhe perguntava se ela era um gatinho, um cãozinho, um ratinho e nisto a senhora que estava sentada ao meu lado perguntou-me se estavamos a falar português. Eu respondi que sim e ela acrescentou "Português de Portugal?", ao que eu voltei a responder afirmativamente. Em seguida disse-me "Eu sou do Brasil" e eu referi: "Que bom, falamos a mesma língua!". Para meu espanto, a senhora respondeu "Mas é tão diferente, que eu acho melhor a gente falar espanhol!" Não pude conter-me e disse de imediato "Desculpe, mas eu compreendo-a perfeitamente!"
Será que para além do acordo ortográfico, deveria ter sido feito um acordo vocálico, para que, de uma vez por todas, os nossos irmãos, com quem partilhamos o nosso tão amado português, possam compreender-nos?