quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

"Ai que prazer/(...) Ter um livro para ler"

Lá dizia o Fernando Pessoa "Ai que prazer/ (...)Ter um livro para ler/ E não o fazer" e às vezes é mesmo isso que acontece, estamos a ler um livro que não nos entusiasma muito  e escolhemos não o ler ou fazer uma grande paragem para tomar fôlego e recomeçar noutra altura; outras vezes, entusiasma-nos tanto que poderíamos reformular os versos de Pessoa desta forma: "Que prazer/ Ter um livro para ler/ E só o fazer". Não sei se isto acontece com toda a gente, mas há livros que se tornam viciantes de tão interessantes, que dou comigo a ansiar o momento em que posso ler mais um pouco. Das minhas leituras mais recentes, três livros tiveram esse efeito em mim.
Primeiro, e por ordem de leitura, a Caderneta de Cromos Contra-Ataca,  de Nuno Markl, não pelo seu valor literário, mas porque nos permite viajar à nossa infância e adolescência e, claro está, pelo sentido de humor apuradíssimo que nos faz rir constantemente (mesmo quando estamos a ler num café e as pessoas nos olham de soslaio!). Aproveito para agradecer ao J e à C que o ofereceram ao P no seu aniversário.


The Glass Castle, de Jeannette Walls (livro que consegui por cinquenta centavos de dólar no Book Swap da escola das pequenas!), é uma obra que não deixa ninguém indiferente. É um livro de memórias desconcertante, em que a protagonista e autora, actualmente colaboradora de publicações americanas de renome,  nos transporta numa atribulada e, por vezes, chocante viagem pela sua infância e adolescência. Jeannette Walls cresceu numa família completamente disfuncional, em que as prioridades estavam, na maioria das vezes, trocadas. A  falta de comida, de roupa, cde ondições básicas de vida eram uma constante, mas por opção. A título de exemplo, um dia as crianças encontraram um anel de diamantes e a mãe preferiu não o vender, apesar de não terem nada para comer, pois tê-lo no dedo elevava a sua auto-estima! Ao mesmo tempo que relatos deste tipo nos chocam, não conseguimos deixar de nos surpreender por alguns dos valores e ensinamentos que estes pais tresloucados conseguem passar aos seus filhos. Na realidade, dos quatro filhos, três são pessoas equilibradas, bem sucedidas, com carreiras sólidas, para o qual contribuiu o amor incondicional que sentiam uns pelos outros e a necessidade de se apoiarem no  meio de tantas incertezas.         


Ontem acabei de ler O Caderno de Maya, de Isabel Allende e amei, como sempre acontece com os livros desta autora. Maya, uma jovem mulher de grande força e carácter, conta-nos, através dos registos no seu caderno, os seus vinte anos de vida. Revela-nos momentos felizes, perdas insuportáveis, um amor grandioso e os momentos mais degradantes da sua vida, em que se entregou ao consumo de droga, alcóol e prostituição. Nada é ocultado, pois tudo o que viveu lhe permitiu percorrer um caminho, crescer e fortalecer-se. Obrigada mãe e pai por me oferecerem este livro cuja leitura tanto prazer me deu!


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