quinta-feira, 29 de março de 2012

Casa cheia

Com a casa cheia de familiares desde Sexta-feira (somos oito neste momento), a nossa vida tem sido um reboliço e uma correria. Queremos visitar tudo o que é possível, queremos disfrutar da companhia uns dos outros, a pequenada quer brincar. Já conseguimos ir ao Oriente para ver algumas cascatas, mas a neblina não nos deixou cumprir o objectivo - ver a Cascata de São Rafael, a maior do Equador; já fomos ao Parque Nacional Cotopaxi e mais uma vez subimos o vulcão até aos 4810m de altitude; já fomos à Mitad del Mundo e o nosso sobrinho conseguiu equilibrar um ovo em cima de um prego, na linha que divide os dois hemisférios e segurou nuns escaravelhos inofensivos mas bem grandes, num momento de grande coragem; já visitámos o centro histórico de Quito, recebendo como prémio uma daquelas chuvadas torrenciais; já subimos de teleférico quase até ao cimo do vulcão Pichincha; visitámos a estátua de virgem alada, que oferece uma vista fantástica de Quito e hoje visitámos dois museus. A este ritmo penso que conseguiremos mostrar bastante deste país e cunhados e sobrinhos regressarão a Portugal de barriga cheia.

As fotos ficam prometidas!

quinta-feira, 22 de março de 2012

Criações caseiras

A chegada da avó B inspirou-nos a levar a cabo alguns projectos já imaginados, mas ainda não realizados, sobretudo por preguiça. Com todos os materiais necessários comprados, faltava pôr mãos à obra, sujarmo-nos um pouco de tinta, encher a casa com um fortíssimo cheiro a verniz, colar autocolantes e brilhantes e o resultado é o que se vê:






Aceitam-se encomendas! LOL!

domingo, 18 de março de 2012

SPA cor de rosa

Esta manhã as manas foram a uma festa de aniversário bem diferente: um Spa só para meninas. Com a tenda decorada a rigor, as convidadas fizeram uma máscara de pele de aveia e iogurte, aplicada pelas amigas, seguiu-se a pedicure, depois manicure, maquilhagem e desfile na passarelle. A C aderiu a tudo, mas a M, cheia de vergonha, apenas deixou que lhe pintassem os olhos. Divertiram-se imenso e os pais adoraram vê-las tão deliciadas. Se alguém me dissesse que a C pintaria as unhas dos pés de vermelho e as das mãos de cor de rosa ,de livre vontade, eu dificilmente acreditaria... até hoje!


Aplicação da máscara pela N


Relaxando com rodelas de pepino nos olhos


À espera da sua vez, enquanto lia uma revista

Em  plena pedicure


Maquilhagem


A M cedendo à pintura dos olhos, mas de espelho na mão para controlar


A trupe cor de rosa


Vestida para a passarelle, com biquini, plumas e chapeu de cowboy


 Pose muito profissional


 Desfilando


O brinde à aniversariante com sumo de morango

No final a C e a M disseram que gostaram muito da festa. Pode ser um sinal de que ainda há esperança para estas minhas filhas que adoram vestir-se de piratas, têm os vestidos de princesa guardados no armário e fogem a sete pés do verniz e do baton!


terça-feira, 13 de março de 2012

Mimos em Quito

A avó B atravessou meio mundo, mas chegou bem a Quito. As manas receberam-na com muitos mimos e a primeira coisa que fazem diariamente é correr para o quarto da avó, enfiar-se debaixo dos lençois e brincar aos gatos.
Sempre que temos visitas, levamo-las a conhecer alguns dos lugares fantásticos que este país tem para oferecer. Como a avó B é reincidente, ainda não iniciámos as frenéticas deslocações aos vários pontos de interesse, até porque já conhece bastantes. Além disso, estamos a guardar-nos para a chegada do tio R, da tia S e do primo T (dia 23 deste mês), para visitar tudo o que for possível em dezassete dias. De qualquer forma, não podíamos deixar de ser bons anfitriões, por isso levamos a avó a conhecer dois lugares, que para além de uma boa refeição, providenciam um deleite visual. No Sábado almoçamos no Capuletto, um restaurante italiano bem aconchegante e com um ambiente agradável.



Capuletto


No Domingo, a convite de uns amigos, fomos conhecer o Rumiloma, um restaurante e estalagem, bem perto do vulcão Pichincha, com uma excelente vista de Quito, uma decoração lindíssima e uma comida excepcional.



As manas com o pequeno I


No exterior do Rumiloma, com  Quito bem ao fundo


A avó e as manas,  com o Rumiloma por trás


Momento de loucura da C




Esta tarde, enquanto a C estava na aula de ténis, entretivemo-nos no parque infantil do clube. A M e a avó fotografaram-se mutuamente e o resultado foi o que se pode ver (para além de várias fotos desenquadradas,lol).





Por último, um lugar muito especial para nós cá em casa e que a avó B também gostou de conhecer, é uma galeria de arte privada, situada no coração de Cumbaya, mais propriamente numa das paredes da nossa cozinha. As manas adoram escolher alguns dos seus trabalhos preferidos e expo-los. Há de tudo: dinossauros, vulcões, diversos animais da selva, crocodilos, bonecos de neve, tractores, insectos, retratos de família. Sendo que é um espaço onde passamos bastantes momentos, quer durante as refeições, quer durante a realização dos trabalhos de casa, quer durante os momentos creativos de pinturas ou manualidades, a cozinha é um lugar de partilha, por isso a exposição dos desenhos e trabalhos não poderia estar mais bem situada!

quinta-feira, 8 de março de 2012

Dia da Mulher

Feliz Dia da Mulher para todas nós!

Em jeito de celebração, pensei em postar um poema sobre as mulheres, que nos descrevesse, que falasse de nós. Pesquisei, pesquisei e encontrei sobretudo poemas escritos por homens que salientavam o aspecto físico, o desejo, a paixão ou o sofrimento. Mas não era isso que hoje me apetecia ler, procurava um olhar para dentro de nós. Encontrei, não um poema, mas um texto do Rui Zink. Com o seu habitual sentido de humor e um rasgo de loucura, faz uma interessante descrição das mulheres. Nem tudo será verdade, mas algumas de nós identificar-se-ão com a sua visão.

"Tratam-nos mal, mas querem que as tratemos bem. Apaixonam-se por serial-killers e depois queixam-se de que nem um postalinho. Escrevem que se desunham. Fingem acreditar nas nossas mentiras desde que tenhamos graça a pregá-las. Aceitam-nos e toleram-nos porque se acham superiores. São superiores. Não têm o gene da violência, embora seja melhor não as provocarmos. Bebem cicuta ao pequeno-almoço e destilam mel ao jantar. Têm uma capacidade de entrega que até dói. São óptimas mães até que os filhos fazem 10 anos, depois perdem o norte. Pelam-se por jogos erótcos, mas com o sexo já depende. Têm dias. Têm noites. Conseguem ser tão calculistas e maldosas como qualquer homem, só que com muito mais nível. Inventaram o telemóvel ao volante. São corajosas e quando se lhes mete uma coisa na cabeça levam tudo à frente. Fazem-se de parvas porque o seguro morreu de velho e estão muito escaldadas. Fazem-se de inocentes e (milagre!) por esse acto de vontade tornam-se mesmo inocentes. Nunca perdem a capacidade de se deslumbrarem. Riem quando estão tristes, choram quando estão felizes. Não compreendem nada. Compreendem tudo. Sabem que o corpo é passageiro. Sabem que na viagem há que tratar bem do passageiro e o amor é um bom fio condutor. Não são de confiança, mas até a mais infiel das mulheres é mais leal que o mais fiel dos homens. São tramadas. Comem-nos as papas na cabeça, mas depois levam-nos a colher à boca. A única coisa em nós que para elas é um mistério é a jantarada de amigos - elas quando jogam é para ganhar. E é tudo. Ah,não, ainda há mais uma coisa. Acreditam no Amor com A grande, mas para nossa sorte contentam-se com pouco."

Rui Zink


P.S. Hoje chega uma grande mulher das nossas vidas. A avó B vem passar dois meses connosco e neste momento (21:52h) já sobrevoa o Equador. está quase, quase a chegar.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Bingo

Sexta-feira foi a tão esperada noite de Bingo na escola. Ouvia-se falar do Bingo nos dias que antecederam o evento, ouviam-se adultos e crianças referir os prémios que gostariam de receber. Este ano os prémios principais foram: um kindle da Amazon, un I-pod shuffle, um conjunto de cinco malas de viagem, cestos de produtos naturais, estadias de duas noites em bons hoteis, relógios de boas marcas, entre outros. Os prémios menos valiosos incluíam muitos jogos e brinquedos para crianças, ofertas de vales de cabeleireiros e restaurantes, malas de senhora, brincos e pulseiras de prata, etc. A primeira coisa que a maioria dos participantes fez quando chegou ao recinto onde iría realizar-se o Bingo foi, obviamente, espreitar as mesas onde estavam dispostos os prémios e sonhar. Sonhar qual iría ganhar, qual deles seria seu ao final da noite.
Depois de semanas de preparação, chegara finalmente o dia. Nas três horas que antecederam o evento as mães do PTO arregaçaram as mangas. Dispusemos as mesas, colocámos o material necessário nas mesmas, decorámos a sala com balões, expusemos os prémios, a fim de que todos os pudessem ver, e esperámos que chegassem as seis da tarde, para dar início ao Bingo.
Começou com quase meia hora de atraso, porque a pontualidade é um grave problema latino (lol) e a sala encheu-se por completo. Foi inclusivamente necessário colocar duas mesas extra para acomodar cerca de vinte e quatro pessoas que não tinham onde sentar-se. A jogatana foi intensa, com muitos nervos à mistura, com a criançada a berrar os números que desejava que saíssem, fatias de piza e refrigerantes para apaziguar barrigas esfomeadas e muitos gritos de BINGO! Demorou uma hora mais do que estava previsto e mesmo assim ninguém queria ir-se embora. Não se entregaram todos os prémios, pelo que vamos sorteá-los pelos funcionários da escola no almoço de agradecimento que o PTO organizará em Junho. Foi uma noite muito bem sucedida, pela divertimento proporcionado, pelos prémios distribuídos e pelo dinheiro angariado que tanta falta faz ao nosso PTO.
As manas não ganharam nada no jogo e a nossa presidente no final disse-lhes que escolhessem um prémio cada uma. As duas escolheram um carro para montar e receberam dois balões. Estavam felicíssimas e acabámos a noite no McDonalds, comendo uns Happy Meal (Cajita Feliz por estas bandas) o que, para elas, foi a melhor forma de terminar a noite. 

quinta-feira, 1 de março de 2012

O lado prático da vida?

Na passada segunda-feira tive de fazer tempo num café perto da escola, enquanto esperava pela M, pois cheguei muito cedo. Enquanto lia o Quincas Borba, de Machado de Assis; e bebia um capuccino, não pude deixar de ouvir a conversa do casal sentado na mesa ao lado, pelo teor da mesma.
Antes de continuar o relato devo fazer um parentesis para referir que conheço de vista o casal em questão. Um homem e uma mulher na casa dos sessenta anos, suponho que americanos (pela pronúncia), que costumava ver frequentemente no ginásio. A mulher tem problemas motores gravíssimos, tem muita dificuldade em caminhar, em mover-se e a sua expressão facial é estáctica, pelo que, imagino que o seu problema seja fruto ou de uma doença degenerativa ou de algum acidente.Sempre me comoveu o carinho, a dedicação do esposo, ajudando a sua companheira a caminhar na passadeira, a fazer alguns exercícios que presumo lhe sejam benéficos.
Este casal estava, então, sentado no Cookie Box, conversando sobre a possibilidade de fazer um seguro de vida. Era o homem que falava quase sempre, explicando as duas opções que lhe haviam proposto. Pelo que pude perceber, uma das opções era melhor caso o esposo falecesse primeiro e a outra, caso a esposa o fizesse. Ali estavam aquelas duas pessoas, falando abertamente, tranquilamente, sobre a morte e a forma como poderia benefeciar o conjugue que continuasse vivo. Pode parecer estranho, mas é uma perspectiva prática da vida ou da morte e, sobretudo, tentar garantir que o nosso ou a nossa companheira terá uma situação estável quando já não estivermos cá para assegurar que isso aconteça. Também me pareceu um tema triste, um daqueles que não queremos ter de abordar porque nos faz pensar na efemeridade  da nossa vida e na daqueles que amamos. Imagino que para este homem, a sua própria morte deve ser uma possibilidade preocupante devido à situação da esposa, que é bastante dependente dele. Por outro lado, alguém com um problema como o dela talvez tenha uma esperança de vida mais curta, devido à degradação e degeneração do seu estado de saúde, o que torna a atitude deste senhor ainda mais admirável, pois ele não toma isso em conta, ele quer protegê-la e por isso dizia-lhe "Tu decides o que é melhor para ti!"
Cheira-me a muito amor.