As férias de Outono terminaram, mas o Outono pelo contrário, está em pleno. Perto de nossa casa há muitos espaços verdes, cheios de caminhos pedestres, caminhos para ciclistas, às vezes pelo meio da floresta, outras vezes ao longo do rio Birs, por vezes atravessando grandes clareiras. Lentamente as árvores vão-se despindo e há milhares de folhas no chão. A palete de cores é agora mais variada, passou de um verde cheio de vida, para um amarelo, castanho, vermelho outonal em jeito de despedida. Não é um adeus, é um até já. A natureza prepara-se para o descanso do Inverno, para reunir forças e rebentar de vida e energia na próxima Primavera. Hoje, enquanto caminhava por estes caminhos, viajei até Portugal, até às incontáveis e inacreditaveis imagens de devastação, desolação e perda que mais uma vez encheram as nossas televisões, jornais e revistas. Como vai ser a próxima Primavera? Em vez do verde renascido, teremos a devastação, hectáres e hectáres de floresta assassinada. A gente que tudo perdeu vai começar de novo, resignada, muitas vezes calando a sua dor, porque é difícil. É muito difícil olhar para casas destruídas, animais que não conseguimos salvar, o que era e já não é e o pior de tudo despedirmo-nos dos que perdemos às mãos de um fogo impiedoso. Neste Outono, em muitas famílias portuguesas, em muitas aldeias e lugares portugueses não haverá um até já, mas sim um adeus. É difícil. Muito difícil.
quarta-feira, 18 de outubro de 2017
domingo, 1 de outubro de 2017
Seis semanas depois
Seis semanas depois do recomeço da escola e os dias têm passado a correr. Entre o vai pôr e vai buscar à escola, tenho trabalhado muitas vezes como professora de substituição, tenho ajudado a organizar os eventos da Associação de Pais, voluntariei-me para "Room Parent" da turma da M e do F e tenho tentado incluir caminhadas nestes dias tão cheios. Depois de terminado o horário escolar, começam os tpc e as actividades extra curriculares. Entre as aulas de ténis, natação, futebol e bateria, todos os dias há uma actividade para um ou mais dos pequenos. O F estreou-se na natação e no futebol. Está a adorar, mas fica derreado no final dos trinta minutos que dura cada uma das aulas. Até eu tenho ido nadar com a M, enquanto o F tem a aula. À Quinta-feira chegamos os três a casa moídos e prontos para uma boa noite de sono. A M continua com a natação e a C, completamente independente, vai e vem para as suas actividades, até porque todas são estratégicamente perto de casa e de fácil acesso de transportes.
O ritmo acelerado das vidas de todos nós faz-nos dar as boas vindas a todas as oportunidades de desaceleração, por isso, na passada Sexta-feira abraçámos o primeiro dia de férias de Outono. O primeiro de duas semanas. Combinámos com uma colega da M almoçar num parque de que muito gostamos e passar lá o resto da tarde. Depois do almoço e já no parque infantil, o F caiu em cima de uma trave de madeira onde tentava equilibrar-se. Ao cair, uma farpa da madeira entrou pela sua perna adentro e começou a nossa primeira aventura destas férias. Ao ver que não conseguiria retirar a farpa, pois estava completamente dentro da pele, levei-o ao hospital. Depois de uma ecografia, confirmou-se que havia um corpo estranho de cerca de 3 cm na perna do F, a uns 4 mm de profundidade. Os médicos tentaram removê-lo com anestesia local, mas não foi possível e acabaram por ter de submeter o nosso F a uma pequena cirurgia com anestesia geral. Correu tudo bem e o pequeno parece que nem tem pontos na perna. A mesma energia de sempre, com muitos saltos à mistura.
É a terceira vez que um dos nossos filhos é submetido a uma cirurgia e aqueles intermináveis minutos em que a mesma dura parecem sempre horas. Pensamos em todos os cenários possíveis, tentando permanecer positivos, mas a nossa imaginação surpreende-nos sempre com uma ou outra possibilidade mais aterradora. Só quando tudo termina, nos dizem que correu tudo bem e a nossa criança acorda, conseguimos ficar tranquilos.
Quando tudo terminou, lembrei-me dos pais e filhos que têm de enfrentar situações bem piores que esta. Como será estar numa sala de espera, com uma ciriurgia de horas pela frente e da qual depende a vida do nosso filho?
Espero que esta tenha sido a aventura mais radical destas duas semanas de férias que agora começam. Espero, no final, apenas ter para relatar idas a museus, a parques, a exposições, nada que envolva hospitais!
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