terça-feira, 27 de novembro de 2012

Crónica de uma mulher insuflada

Esta história de estar grávida faz-me sentir como um daqueles bonecos insufláveis que pouco a pouco vamos enchendo, até atingir o limite, ou seja, no meu caso, as quarenta semanas de gestação.
 
Primeiro, ainda com pouco ar, o boneco é facilmente manejável, dobra-se, volta à forma anterior e ainda é possível fazer o que se quer dele. Se estendermos esta analogia aos primeiros meses de gravidez, no início sentia que podia fazer o que quisesse, não me sentia muito cansada, o meu corpo era manejável.
 
Vamos enchendo o boneco e as suas formas redondas tornan-se cada vez mais evidentes e rígidas, impedindo alguns movimentos mais bruscos ou radicais. É precisamente esta a fase em que me encontro. Esqueço-me que tenho esta barriga insuflada e imagino que consigo fazer tudo o que há cinco meses atrás me era muito fácil. Mas não, isto de saltar da cama quando toca o despertador já não é bem assim, porque há que fazê-lo mais lentamente e de lado, para a criança não sofrer um atentado logo de manhã cedo. Subir e descer escadas não é difícil, apenas há que fazê-lo moderadamente, não como se estivesse a treinar para uma maratona, senão o resultado é um inchaço generalizado das pernas e pés. Dar banho à M passou a ser feito de joelhos e secar o cabelo à C, já só consigo sentada numa cadeira, quando o dia foi fisicamente mais exigente.
 
 Vamos ver como será nos últimos meses, em que lentamente sopramos os últimos fôlegos de ar, que permitirão ao boneco insuflável atingir a sua forma plena, bem cheinho e redondinho.
 
De resto, o facto de estar insuflada continua a obrigar-me a dormir mais horas do que habitual e uma vantagem em relação ao boneco, é que eu não estou apenas cheia de ar, eu tenho cá dentro um crianço que se mexe a toda a hora, relembrando-me a todo o instante a sua fantástica presença. ;)

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