segunda-feira, 20 de junho de 2016

Vitórias e despedidas

A nossa C está de parabéns pois no Banquete dos Atletas, organizado pela escola, foi galardoada com o troféu de Jogador Mais Valioso da Equipa Júnior de Ténis, em conjunto com a sua colega de pares. Estamos muito orgulhosos e uma vez mais a vida mostrou-nos que o esforço compensa, pois apesar de nem sempre ter vontade de ir às aulas de ténis ao fim de semana, a verdade é que ao duplicar o número de aulas semanais, a sua evolução foi notória. Quando chegou a casa depois de receber o troféu, mostrou-o sem grandes alaridos, porque não gosta nada de se evidenciar, mas no dia seguinte várias pessoas na escola deram-lhe os parabéns.

O ano lectivo chegou ao fim e desde Sexta-feira passada até à próxima que temos programados vários encontros com os melhores amigos das manas e do mano. Serão as últimas brincadeiras e cumplicidades partilhadas para guardar nas boas recordações!

O final do ano lectivo remete também para uma despedida mais difícil, que, apesar de já ter acontecido há dois anos, continua bem presente e a saudade é bastante sentida. Os anos vividos na Grécia vão ter sempre esta carga trágica, apesar de tudo de bom que aqui vivemos, experimentámos e conhecemos. Mais uma coisa que levarei comigo.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Parnassos

Da minha janela, vejo-te montanha.
Ondulante mas imóvel.

Num dia soalheiro, o teu sopé revestido de verde ganha vida.
Às vezes azulada, acinzentada, em dias nebulados.
Negra, em dias de chuva.
No final de um dia de Verão, a tua forma recortada na luz do sol que se põe, os teus contornos ardendo na luz que se despede.

Sempre presente, imponente, gigante.

Vejo-te montanha, todos os dias, da minha janela.

Quando esta casa deixar de ser a nossa, despedir-me-ei de ti. 
Não voltarei a ver-te de cada vez que olhar pela minha janela, mas levar-te-ei comigo, como sempre levo o que não quero esquecer.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

As mudanças afinal são boas

Sempre que a palavra mudanças entra na nossa vida parece que vemos o demónio. Queixamo-nos das dezenas ou centenas de caixas e pacotes, do tempo que tudo demora a organizar e a empacotar e depois a desempacotar e arrumar no nova morada, as horas passadas a planificar a distribuição da mobília no novo destino, quem fica com este ou aquele quarto, o que não precisamos e podemos dar a alguém. São dias de muita negociação, planificação, mas também uma excelente oportunidade para aligeirar a carga e deixar para trás o que não faz falta. 

No passado fim de semana concluímos, depois de várias sessões, a escolha dos trabalhos escolares realizados até agora e que as manas querem guardar. Ficámos com três dossiers para cada uma e duas capas de trabalhos de arte. Juntámos cerca de dez sacos de papel para reciclagem e fizemos uma grande viagem no tempo. Foi tão bom vê-las relembrar o momento em que tinham realizado os trabalhos, as histórias por trás das actividades, os primeiros desenhos, as primeiras letras. Demorou, mas valeu bem a pena. 

Aproveitei também para organizar todos os desenhos e postais do Dia da Mãe e do Dia do Pai, bem como as cartas e postais que fomos recebendo desde que deixámos Portugal. Mais uma viagem no tempo cheia de emoções, reler os postais de Natal e aniversário escritos pelos meus avós, postais da avó B para as manas, desenhos e mensagens deixados por amigos queridos. Foi bom. 

Afinal as mudanças podem ser boas!

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Ténis...muito ténis

As "piquenas" cá de casa andam muito atarefadas a nível desportivo. A C participou em dois torneios de ténis, enquanto membro da equipa da escola. Jogando em pares, classificaram-se em primeiro e segundo lugar respectivamente. Hip, Hip Hurra!

 
Torneio da ACS
 
 
Torneio da Campion School - C e a sua parceira
 
 
Como representantes da escola, tiveram de usar o uniforme providenciado pela mesma.  E foi assim que, pela primeira vez, a C vestiu uma saia de ténis. Penso que mais por uma questão de charme do contra, típico da adolescência, quando o teve de vestir pela primeira vez refilou, claro. Desde então nunca mais disse nada e tenho para mim que até gosta!
 
 
Este fim de semana, a M vai participar noutro torneio na escola e a C, bem como os restantes membros da equipa, farão parte da organização.
 
Eu e o F temos de acompanhar todas estas andanças, as aulas de ténis em dias alternados e aos fins de semana, as aulas de natação, os torneios. O F até tem uma raquete para jogar com a mãe ou o pai enquanto decorrem as aulas ao fim de semana.
 
 O que vale é que o bom tempo permite que, enquanto esperamos por elas, recarreguemos as nossas reservas de vitamina D!

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Atenas-Basileia-Atenas

A azáfama das últimas semanas e alguma preguiça à mistura mantiveram-me-me ausente, mas estou de volta para dar conta de alguns acontecimentos das nossas vidas que merecem ficar registados e outros que necessitam actualização.

Sábado, 17 de Abril, será um dia memorável para a nossa M. Participou num torneio de ténis na escola e ficou em primeiro lugar. Cheia de orgulho subiu ao pódio e ergueu a sua primeira taça. Mãe babada, mana e mano babados e pai babado, a ver tudo pelo Skype.


 
O F ainda está a apurar a técnica de chegar a tempo ao bacio, mas está definitivamente  quase lá. Entretanto, para desviar a nossa atenção dos ocasionais acidentes, vai sendo o protagonista de situações que nos fazem desmanchar a rir. Por exemplo, um dia no carro, enquanto ouviamos uma música reparei que a C marcava o ritmo como se estivesse a tocar bateria. Perguntei-lhe se, quando ouve música, presta mais atenção ao ritmo ou à letra. Ela respondeu ao ritmo. Perguntei depois à M: "E tu, M, pretas mais atenção ao ritmo ou à letra." Ao que ela respondeu: "Eu gosto mais de cantar a letra." O F, não querendo ficar fora da conversa, disse de imediato" Eu também gosto mais de cantar as letras... A B C D E F G" (começou a cantar o abecedário). Rebentámos as três a rir, claro. 
Na semana passada, depois de reparar que o F tinha as calças molhadas, perguntei-lhe se tinha feito xixi nas calcinhas. Prontamente exclamou: "Não, mãe, foi só um acidente!". Não deixa de ser verdade, mas não pude deixar de me rir da lata do tipo!

 Nos últimos onze dias, estivemos por t
erras helvéticas e cmprimos o habitual programa antes da mudança definitiva.  Visitámos a escola, os três gostaram do que viram e estão entusiasmados;  levámos a cabo a caça à nova casa e depois de vermos diversas unidades, e tal como aconteceu na Grécia, gostámos da primeira e da última. Candidatámo-nos à última e mostrámos interesse pela primeira. Espero que, tal como há três anos atràs, fiquemos com a última opção, sobretudo pelo espaço extra. Se não formos os escolhidos, a primeira opção também nos agrada. As duas são perto da escola e dos transportes e, não estivessemos na Suiça, com muito verde à volta, como nós gostamos.
 
 
Apesar da chuva  e do frio, ainda foi possível ir a um dos parques da cidade, Schutzenmatt. As  manas  e o mano gostaram não só das diversões, mas também do verde vibrante que nos entrava olhos adentro.
 
 

 
Relaxando em Shutzenmatt
 
 
A M numa das suas actividades favoritas, trepar às árvores
 
 
Surpresa!!!!
 
 
 
Eu e a C tivemos um bónus extra e fomos assistir ao musical Cats. Adorámos tudo. O cenário, a história, as canções, os actores/intérpretes. Ficámos com a certeza que são artistas fantásticos, muito completos, pela suas diferentes competências. Aquela gente representa, canta e dança que se desunha. A M não quis acompanhar-nos porque achou que durava muito tempo e o P está intimado a comprar um bilhete para ir assistir.
 
 
Estamos de volta a Atenas, para o mês e meio que falta para terminar o ano lectivo. Depois a nossa trallha será empacotada e enviada para Basileia, enquanto nós, em jeito de despedida, iremos dar uns mergulhos neste mar deslumbrante.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

E o homem sonhou novamente

Pela quarta vez nas nossas vidas, o homem voltou a sonhar e o nosso novo destino está escolhido. 
Bem, novo, novo não será, chamar-lhe -ía antes um destino revisitado. Vamos regressar a Basileia, na  Suiça. 
É quase um voltar a casa ou pelo menos voltar a um lugar conhecido, o que torna tudo mais tranquilo. Já conhecemos a cidade, sabemos onde encontrar tudo o que precisamos, o supermercado, o hospital, os médicos; vamos reencontrar os amigos que lá deixámos, revisitar tudo o que mais gostámos de conhecer e descobrir tantos outros lugares especiais que da primeira vez não tivemos oportunidade.
A pequenada já foi aceite na escola e agora só falta encontrar uma casa, o que faremos a partir da próxima semana, aproveitando as férias da Páscoa ortodoxa.
Quando demos a notícia às manas, a primeira reacção foi de alguma tristeza, sobretudo da M, porque partir significa sempre deixar os amigos que entretanto fizemos e um lugar que aprendemos a gostar. Agora estão entusiasmadas com a viagem a Basileia, a visita à escola nova e a procura da nova casa. O F diz (repetindo as palavras da mãe) que vamos ter uma casa nova, uma escola nova e um carro novo e parece entusiasmado.  
Em Agosto recomeçaremos a nossa vida no destino escolhido, até lá o P estará entre Atenas e Basileia e nós por cá até ao final do ano lectivo. 

Um viva aos recomeços!!! 

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Casa quase vazia

Será possível que há duas semanas atrás fossemos dez cá em casa, depois passámos a ser sete, depois seis e ontem quatro? É possível e é verdade. Os tios e primo foram os primeiros a partir, depois o P e ontem os meus pais. De repente parece que falta gente!

Aproveitámos ao máximo este mimo que a vida nos deu e passámos todo o tempo possível com os que mais queremos. Foi óptimo para as manas e mano passarem dez dias com tios e primo e um mês inteirinho com os avós. Pensamos tantas vezes em tudo o que perdemos por estar fora de Portugal, sobretudo ao nível da família, que quando temos uma oportunidade destas agarramo-la com unhas e dentes. É fabuloso testemunhar a cumplicidade entre primos, as brincadeiras com os tios, a alegria dos avós e netos a descobrirem-se mutuamente, a quantidade de histórias partilhadas, as caminhadas, os lugares visitados. Tudo fica guardado em nós e são estes momentos importantes que nos fazem amar a nossa família.


Mãe e filhos temporariamente sozinhos, mas de coração cheio.