A viagem às Ilhas Galápagos foi um sonho tornado realidade. É fantástico estar num lugar onde os animais estão no seu habitat, completamente tranquilos e nós podermos fazer parte disso, sem interferirmos nas suas vidas.
Os céus são constantemente cruzados por enormes pelicanos, fragatas, piqueros de patas azuis, pinzones de Darwin e outros que não sei nomear.
Pelicano
Em terra vimos centenas de iguanas marinhas ao sol; algumas terrestres, lagartos coloridos; caranguejos nas rochas de lava, flamingos; muitas tartarugas em várias fases de crescimento nos centros de conservação e bastantes em habitat natural a pastar (como se fossem vacas); vimos, também, várias focas a dormir a sesta perto do cais, na praia.
Iguana Marinha
Iguana terrestre
Sesta no cais
Tartarugas no Centro de Crianza de Tortugas de la Isla Isabela
Na água, assim que atracámos, vimos uma manta raia; nas Ilhotas Tintoreras vimos tubarões a descansar pois apenas estão activos de noite (felizmente!); durante o snorkel, conseguimos ver tartarugas marinhas, peixes de diferentes cores, típicos do oceano Pacífico e uma foca que nos fez companhia enquanto nadavamos e mergulhavamos - foi inacreditável vê-la, debaixo de água com os óculos de mergulhar, nadando mesmo junto a nós, passando bem perto como se nos pedisse que brincássemos com ela.
Não está muito nítida, mas é a nossa amiga foca
É impossível esquecer a cor do mar, ou melhor, os vários tons de azul do mar, que nos enchem a vista; a temperatura da água que é bastante mais agradável que a do nosso oceano Atlântico, apesar de Agosto ser um mês de águas mais frias e mar agitado, aqui por estes lados. Para além da cor, o cheiro a mar era muito intenso, o que sempre me faz sentir em casa.
Foram cinco dias em que o primeiro e o último foram passados em viagens, por isso, na realidade foram três os dias em que tivemos o privilégio de usufruir um pouco de um dos lugares mais especiais do mundo.
Como foi organizado por uma agência de viagens, tudo estava programado, o que permitiu que em três dias pudessemos visitar bastantes sítios, ver diferentes espécies de animais e realizar diversas actividades.
Assim, depois de voar de Quito para Guayaquil, de Guayaquil para a ilha de Baltra, andar uns dez minutos de autocarro, chegar à ilha de Santa Cruz num ferry, atravessar a ilha de carro durante cerca de meia hora, finalmente entrámos no barco que nos levaria à ilha Isabela. A travessia de barco durou umas longas duas horas e meia e foi aterrorizadora. Um pequeno barco, que levava vinte passageiros, o capitão e um ajudante fez cerca de oitenta kilómetros, galgando ondas, pois o mar estava bravo, batendo fortemente com o casco na água depois de cada onda maior. Durante o trajecto várias vezes pensei que as coisas poderiam não correr bem e muitas imagens do filme A Tempestade atravessaram o meu pensamento. Metade do barco era descoberto, pelo que as pessoas sentadas nessa parte, o P incluído, terminaram a viagem completamente encharcados, a pingar. Foi um pesadelo!
Uma sandocha antes do início da travessia, mal sabíamos o que nos esperava!
No dia seguinte acordámos para o primeiro dia de actividades e a terrível travessia ficou para trás, ou melhor, em suspenso, pois ainda teríamos de regressar!
Começámos por fazer uma caminhada até à cratera do Vulcão Sierra Negra, pois é a segunda maior cratera de um vulcão activo. Como fica num ponto mais alto da ilha Isabela, estava muito nebulado, pelo que não conseguimos vê-la na totalidade, mas valeu pela paisagen, pelos pinzones que íam saltitando à nossa frente, como a indicar-nos o caminho. Teria sido desnecessária toda a lama, que nos deixou num estado lastimável e terminou com mangueirada nos ténis, pois estavam completemente impraticáveis.
Começámos por fazer uma caminhada até à cratera do Vulcão Sierra Negra, pois é a segunda maior cratera de um vulcão activo. Como fica num ponto mais alto da ilha Isabela, estava muito nebulado, pelo que não conseguimos vê-la na totalidade, mas valeu pela paisagen, pelos pinzones que íam saltitando à nossa frente, como a indicar-nos o caminho. Teria sido desnecessária toda a lama, que nos deixou num estado lastimável e terminou com mangueirada nos ténis, pois estavam completemente impraticáveis.
Junto à cratera, com o amigo brasileiro, R de seu nome, que adóptamos durante a viagem
Caminhando na lama, embora esta não fosse uma das piores passagens
Na parte da tarde fomos à praia Concha de Perla, onde as pequenas estiveram a brincar junto de outra foca, onde vimos pinguins, piqueros e pelicanos, onde fizemos snorkel com a companhia da tal foca e aquele mar que não nos cansamos de admirar. O acesso ao lugar de mergulho era pelo meio de uma "floresta" de mangais, através de um corredor de madeira, onde por vezes avistámos caranguejos grandes e vermelhos.
Felicidade pura
Junto dos pinguins
Na mesma rocha onde estavam os pinguins, descansava este pelicano...
... e este piquero de patas azuis.
Corredor de acesso à praia, construído no meio de uma floresta de mangais
Caranguejo sobre rocha de lava
Vista do local onde fizemos snorkel
Já dentro de água
No segundo dia caminhamos por uns trilhos ecológicos onde pudemos ver algumas espécies.
Flamingo
Pelo sendero ecológico
Em seguida, visitámos um centro de criação de tartarugas que tem por objectivo repor o numero de exemplares da espécie, que foi drasticamente reduzido (dizimado) ao longo dos anos. Escutámos histórias terríveis sobre como as indefesas tartarugas foram levados por piratas e outros marinheiros, armazenadas nos navios para serem, posteriormente, devoradas, pois como podem estar um ano sem comer ou beber, constituíam a fonte ideal de proteínas a custo zero.
Além de nos deleitarmos com exemplares de vários tamanhos e idades, a M e a C viveram um dos momentos inesquecíveis desta viagem. O tratador, depois de explicar o desenvolvimento das tartarugas, deixou-nos tirar uma foto às manas junto a uma tartaruga bebé e depois, mas sem fotos pois é proibido, deixou-as pegar-lhe por breves momentos. Imaginem a felicidade das pequenas!
Além de nos deleitarmos com exemplares de vários tamanhos e idades, a M e a C viveram um dos momentos inesquecíveis desta viagem. O tratador, depois de explicar o desenvolvimento das tartarugas, deixou-nos tirar uma foto às manas junto a uma tartaruga bebé e depois, mas sem fotos pois é proibido, deixou-as pegar-lhe por breves momentos. Imaginem a felicidade das pequenas!
Tartarugas "adolescentes"
Muitas tartarugas pequenas
Tartaruga GRANDE
A M em estado de felicidade ao lado da tartaruga bebé
Idem, idem, aspas, aspas
Seguimos caminho até às Ilhotas Tintoreras, onde apenas se pode ir com guia, por ser um lugar bastante protegido. Aí vimos os tubarões a descansar, uma tartaruga que nadava com a cabeça de fora, muitas iguanas marinhas, as habituais aves, um lobo marinho que dormitava debaixo de uma árvore. Também aí fizemos snorkel pela segunda vez e a guia levou-nos para junto de tartarugas marinhas. Estive literalmente a nadar por cima de algumas delas. Também foi possível avistar mais peixes de águas quentes. (Conseguimos registar alguns destes momentos com a ajuda de uma máquina descartável à prova de água, falta agora digitalizar as fotos).
Da parte da tarde fomos para a praia relaxar e usufruir do mar e do sol, apesar de algum vento e algumas ondas.
Rochas de lava cobertas de liquens (fungos)
Iguana marinha
Da parte da tarde fomos para a praia relaxar e usufruir do mar e do sol, apesar de algum vento e algumas ondas.
No terceiro dia, que começou bem cedo, pelas 5:15 da manhã, saímos do hotel para duas horas e meia de tortura, ou seja, a travessia de barco entre a Ilha Isabela e a ilha de Santa Cruz. Desta vez nenhum de nós se molhou, apenas a mesma sensação de enjoo provocada não só pela agitação do mar, mas também pelo forte cheiro a gasolina que emanava dos dois motores de duzentos cavalos.
Já na Ilha de Santa Cruz, depois de um reconfortante pequeno almoço na hosteria iniciámos as actividades propostas para esse dia. Visitámos a Estação Científica Charles Darwin e assim pudemos ver mais tartarugas, enormes, gigantes, conhecer um pouco do processo de conservação das diferentes espécies e conhecer o mítico Lonesome George, um exemplar de uma das espécies, que foi encontrado numa das ilhas onde já não existia mais nenhuma tartaruga, estava apenas rodeado de cabras, daí o nome. Hoje em dia, o George e o Diego, são responsáveis pelo nascimento de centenas de tartarugas que mais tarde regressarão a casa.
Entrada da estação
Lonesome George em grande estilo
Ao fundo, tartarugas gigantes
Na parte da tarde vistámos um rancho onde as tartarugas gigantes vivem no seu habitat natural, comendo erva e banhando-se em poças de água. Visitámos, ainda um tunel natural de lava, bastante impressionante, pois parece uma obra de engenharia, mas o homem não teve qualquer influência na sua formação, apenas na sua descoberta.
Impressionante, hein?!
Ternurento, não?
Dentro da carapaça
Os incríveis tuneis de lava, formados naturalmente durante
a erupção vulcânica que deu origem à ilha
O último dia foi dedicado a viajar, mas desta vez sem travessias assustadoras.
Resta referir que as guias que nos acompanharam foram fantásticas, demonstrando não só conhecimentos, mas também um grande amor pela natureza.
Uma dica final: se alguma vez pensarem em fazer esta viagem (vale mesmo a pena), assegurem-se que gostam de frango ou de um peixe chamado albacora, pois o menú disponível não varia muito para além dessas duas opções.
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