terça-feira, 28 de setembro de 2010

Caixinha Mágica

A partir de hoje vamos sentir-nos um pouco menos longe de Portugal.
Um dia antes do inicialmente previsto (pasmem!!!), vieram instalar a Direct Tv, televisão por satélite, que nos permite ter acesso à RTP Internacional. Ainda que não seja a melhor opção em termos do que a televisão portuguesa tem para oferecer, pelo menos é em português, retrata Portugal e os portugueses e assim sentimo-nos mais perto.
É incrível como um simples canal de televisão faz diferença.
Posso voltar a afirmar, tal como acontecia na Suiça: "Da porta de casa para dentro, estamos em Portugal!"
Não esqueçamos porém o cariz internacional da coisa! Quem conhece a RTPI sabe que muito do que é emitido visa o emigrante e então temos todos aqueles programas do género "França Contacto", "EUA Contacto" sobre emigrantes portugueses bem sucedidos nesses países. Com a quantidades de tugas espalhados pelo mundo, basta imaginar quantos programas desses são emitidos na RTPI! Para além disso brindam-nos com clips de música de bandas e cantores que não correspondem muito ao gosto pessoal cá de casa. Alguns programas são emitidos em diferido e por vezes deixam de fazer sentido, no caso, por exemplo, de debates sobre a actualidade. Até as telenovelas são normalmente reposições com alguns anos.
Whatever! O que importa é que é mais um pouco de Portugal que chega a este lado do mundo!

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Como é que se pode não ser feliz?

Numa destas noites eu e o P tínhamos deitado as pequenas, estavamos sentados no sofá da sala e, quando demos por isso, os dois olhavamos para o jardim, iluminado, lindo e dissemos: "Realmente!"

Este realmente sumaria o que sentimos.
Realmente é um privilégio termos duas filhotas marotas, brincalhonas, que nos fazem rir, que nos mimam, que nos levam à exaustão; termos uma família fantástica, que nos apoia, que nos ama; termos amigos verdadeiros, que mesmo longe estão perto; termos uma cadela louca, mas muito doce que sobreviveu a um dia de viagem e outro de encarceramento no aeroporto só para estar junto de nós.

Tudo isto emoldurado por um país acolhedor, por novos amigos, uma casa que cada vez mais se vai tornando nossa e o jardim interior que para além das flores que nos enchem os olhos, é destino de colibris, melros, borboletas...


















Como é que se pode não ser feliz?

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Rapidinha

Estava eu no carro, regressando da escola da C, quando, no meio da habitual espanholada que se escuta nas rádios desta terra, uma melodia conhecida chamou-me a atenção. Aumentei o volume mesmo a tempo do refrão: "si mi quedo o si mi voy".
Não queria acreditar! Chamarem Udos aos U2, Piedras Rolantes aos Rolling Stones é quase inacreditável, mas uma versão em espanhol do "Should I stay or Should I go" dos Clash, é demais!!!
Como dizem as minhas amigas brasileiras "Pode isso?!" (Não esqueçam a pronúncia)

Um pouco de Portugal

Não sei se foi porque a distância é muito grande, não sei se foi porque sabia que a nossa mudança iria demorar muito a chegar e a ser entregue, o que é certo é que desta vez quando deixámos Portugal trouxe comigo algumas coisas bem Portugueses, bem nossas.
Assim, em cima da lareira temos um lindo galo de Barcelos roxo (cor escolhida pela C, claro), uma pequena caixa de porcelana da Vista Alegre, com uns motivos alusivos aos azulejos pombalinos, uma reprodução de uma caixa de chá da Companhia das Índias e um dos meus gatos de madeira que tanto gosto. Só falta mesmo a garrafa de Vinho do Porto!
Com excepção do galo, que comprámos numa loja muito Portuguesa no aeroporto, Alma Lusa, as outras coisas foram presentes de família e amigos que estavam na nossa casa de Mafra. Comprei também o último CD da Ana Moura e não me canso de ouvir esta mulher cantando a NOSSA música.
Penso que foi uma tentativa de trazer um pouco mais de Portugal para este lado do mundo!
Além disso pode sempre servir para divulgar um pouco do que se faz no nosso país aqui por estas bandas, já que parece que Portugueses no Equador somos nós os quatro cá de casa, um investigador nas Ilhas Galápagos e um fulano que trabalha numa empresa multinacional.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Autocarro da Escola: sim ou não?

Hoje de manhã recebi um mail de uma grande amiga. Consistia num relato apavorado do grande Pedro Ribeiro, que durante duas horas não soube onde estava a sua filha pois, por engano, a pequena entrara na carrinha do ATL errada.
Ao ler as suas palavras, como mãe, senti-me solidária com o seu desepero; e ao mesmo tempo congratulei-me com a opção que fizemos de não deixar a C ir para e regressar da escola num dos muitos "yellow school buses" da mesma.
Se estas coisas acontecem em Portugal o que dizer aqui em Quito! Se juntarmos a este tipo de possibilidades a forma descuidada, agressiva, desrespeitadora de conduzir nesta cidade... basta imaginar. E é isso que não quero fazer: imaginar o que poderá estar a acontecer sempre que o bendito autocarro se atrasar. Segundo outras mães e pais, não são poucas as vezes que isso acontece!
Chamem-me mãe galinha, whatever, prefiro continuar a conduzir os 10 km que separam a nossa casa da escola, subir e descer duas vezes por dia os 400m de altitude que separam Cumbaya de Quito, mas saber que a entrego à porta da escola e que a trago comigo para casa.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Bem vindos à América Latina

Este fim-de-semana o P teve a sua primeira experiência de verdadeira inserção local.
No Sábado de manhã enquanto eu e as pequenas estavamos numa animada festa de aniversário de uma coleguinha da C, o P ficou em casa com um técnico que tentou ligar a nossa TV Cabo de Portugal. Como não estavam a ter resultados, o senhor propos ao P deslocarem-se a sua casa porque a antena parabólica dele era maior. E assim foi. Infelizmente não foi possível captar a emissão, vamos mesmo ter de aderir à tv cabo local e voltar a assistir à RTP Internacional ( para mal dos nossos pecados).
Contudo isso não foi o que marcou o dia. o P ficou tão impressionado, mas pela negativa, que me ligou quando estava a regressar. Dizia coisas como "não estás bem a ver isto!"; "isto parece a Cova da Moura ao quadrado"; "eu nem sei bem onde estou mas espero que consiga voltar a casa"
Pois é, sair da bolha faz-nos conhecer os dois mundos diferentes que existem neste país. A pobreza, a falta de condições do local era tão explícita. Nada parecido com a urbanização onde moramos, onde tudo está bem arranjado, as casa são lindíssimas; nem com os locais que habitualmente frequentamos!

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Perspectivas

Foi necessário atravessar meio mundo e aterrar na América Latina para perspectivar a forma como falamos de nós e da nossa cultura.
Por um lado, como somos portugueses, e por isso latinos, há muitos aspectos culturais comuns que nos ajudam a sentir em casa. Por exemplo, as pessoas são afáveis, sorridentes, alegres, afectuosas e tocar nos outros faz parte do quotidiano. Nos três anos em que fui diariamente buscar a C à escola em Basileia nunca me lembro de ter recebido um beijo de qualquer outra mãe; aqui todos os dias há trocas de beijos, saudações efusivas. Estas são características que não sentíamos na Suiça, a não ser que estivessemos entre portugueses. Assim, a palavra latina passou a fazer parte da forma como me defino.
Por outro lado, há aspectos que nos distanciam e confesso, nos desesperam: comprometem-se com algo e raramente cumprem, é necessário telefonar vezes sem conta para que façam o favor de levarem a cabo aquilo a que se tinham proposto; conduzem que nem uns loucos, tudo é possível, ultrapassam pela direita, pela esquerda, inventam uma terceira faixa onde supostamente existem duas, não compreendem o funcionamento das rotundas, é basicamente a lei do carro maior e do condutor mais destemido que impera nas estradas; muitas crianças vão sentadas no banco da frente ao colo da mãe e também existe a versão "tudo ao molho e fé em Deus" na parte de trás das pick ups ou carrinhas de caixa aberta. Nestas situações sinto-me europeia.

Latina e europeia eram duas palavras que nunca me lembro de ter utilizado para me definir quando vivia em Portugal ou mesmo na Suiça. Curiosa a forma como as perspectivas se alteram!

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

O homem sonha o destino nasce

Há cerca de três anos atrás um homem sonhou mudar as nossas vidas - com isto quero dizer a minha, a da minha família, a dos nossos amigos- ao propor ao P movimentar-se pelo mundo numa carreira internacional.
Depois de considerarmos os prós e contras resolvemos aceitar, pela aventura, pela descoberta do desconhecido, pela oportunidade de conhecer gentes e locais e por todo o enriquecimento humano que advém de uma experiência como esta.
Assim sendo, em Abril de 2007 fechámos a porta da nossa casa em Mafra, despedimo-nos do mar e voámos para Basileia, o destino sonhado pelo dito homem.
Vivemos estes três últimos anos na Suiça e adorámos. Explorámos tudo o que conseguimos, partilhámos essas experiências com família e amigos durante as muitas visitas que recebemos, fizemos novos amigos de vários pontos do globo e agora trouxemo-los a todos para o nosso novo destino.

Estamos a viver em Quito, Equador, há um mês e um dia.