Era Uma Vez Um CRAVO, é o título de um livro escrito por José Jorge Letria, para assinalar o 25 de Abril, patrocinado pela Câmara Muncipal de Lisboa e publicado pela primeira vez em 1999. Como apenas imprimiram 2000 exemplares, poucos o conhecem, o que é uma pena. Esta história contada em verso sobre um cravo de Abril é uma excelente forma de dar a conhecer às crianças como foi o dia da revolução e as mudanças que daí resultaram. Cruzei-me com um desses exemplares há cerca de cinco anos, na Biblioteca Municipal de Mafra, numa das visitas semanais que partilhava com a C. Lêmo-lo e encantou-nos. Mais tarde falei sobre ele com uma amiga, a S, que além de também gostar muito de ler, ama a revolução, a liberdade. Para meu espanto ela tinha um exemplar do mesmo e ofereceu-nos uma cópia encadernada. Obrigada S!
Hoje não podíamos deixar de o reler e aqui ficam alguns excertos:
Hoje não podíamos deixar de o reler e aqui ficam alguns excertos:
Era uma vez um cravo
nascido no mês de Abril (...)
Mas era um cravo triste
porque triste era o país
e a sua tristeza ía
do caule à raiz (...)
Mas nessa noite acordou
ao ouvir na telefonia
uma música bonita
que anunciava alegria
Um cantor chamado Zeca
dizia no seu refrão
que era tempo de amizade
com um travo de emoção
E esse cravo de Abril
ouviu marchas militares
e viu sair os soldados
entre vivas e cantares (...)
[A D. Floripes] vinha de mãos vazias
e algo queria oferecer
aos soldadinhos valentes
que a faziam renascer
Foi então pegar no cravo
que estava ali a espreitar
e foi pô-lo na espingarda
que trazia um militar (...)
Era um cravo de paz
em arma de fazer guerra
era a flor desejada
para enfeitar esta terra (...)
E o cravo desta história
que aqui se encontra rimada
foi o símbolo da festa
nascida de madrugada (...)
E o cravo desse Abril
lá ouviu na telefonia
de novo a voz do Zeca
com uma nova melodia
Era a nova melodia
de um Portugal já mudado
traz outro amigo também
com um cravo engalanado (...)
E esse cravo de Abril
renasce todos os anos
com o aroma dos afectos
para fazer novos planos
E no fundo para lembrar
que Abril não acabou
pois não é só uma data
mas o futuro que começou (...)
Era uma vez um cravo
numa história sem idade
e eu ao lembrá-lo em verso
escrevo sempre Liberdade
Que continuemoa a escrever Liberdade todos os anos, todos os meses, especialmente em Abril!
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