quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Destino: Lisboa, Portugal

Terminou a contagem decrescente!
Daqui por quatro horas partirá o avião da Iberia que nos levará até Madrid e depois Lisboa, com a Easyjet, claro, não podemos abandonar os velhos amigos.
De acordo com o previsto sairemos de Quito às 18:45, ou seja, 23:45 hora de Lisboa e chegaremos amanhã às 17:40 ao aeroporto da Portela. Cerca de 18 horas em viagem... fantástico, mas vale bem a pena.
Até já Lisboa!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Contagem decrescente

Como diria a C, faltam três dias para comerçarmos a nossa viagem de regresso a Portugal para um Natal ainda que mais frio, bem mais aconchegante. Na próxima 5ª feira deixamos Quito rumo a Lisboa!
Já não falamos de outra coisa nesta casa, já não planeamos outra coisa. Eu só penso em malas, roupa, sapatos, botas e presentes, claro. Como sempre consiste em enfiar o Rossio na Rua da Betesga. Na minha perspectiva há sempre um milhão de coisas que poderão ser necessárias, na perspectiva do P, cerca de um terço, por isso acabo por levar dois terços do inicialmente previsto.
Depois de horas a embrulhar cuidadosamente (com aquele plástico que tem bolhas) os presentes, consegui encafuar quase todos em duas malas de mão - fico sempre espantada com esta crença que desenvolvi nos últimos três anos: uma mala é como um coração de mãe, há sempre lugar para mais um!
Este ano para além do habitual, estão incluídos na nossa bagagem itens menos comuns, tais como uma piñata de que a M não abria mão para a sua festa de aniversário, pratinhos, copinhos, toalhas para a festa das princesas, pequenas peças de artesanato, lenços, echarpes, malas e malinhas, Panama Hats, que afinal são echos en Ecuador, enfim... coisas que por aqui se fazem e nos permitem levar um pouco desta casa para a nossa casa de sempre, (com excepção dos artigos para festa com o tema das Princesas da Disney, mas que não posso deixar de levar daqui pois os preços são bem mais interessantes).

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Fim de semana em Mindo

A escassos 90 km de Quito - o que aqui significa duas horas de viagem - fica Mindo, uma zona de grande beleza natural, no meio de bosques nublados, uma espécie de floresta tropical, mas sem a bicharada que nos pode deixar de recuerdo dengue ou malária.


Ficámos em Mindo Lago, uma pequena estância, mesmo no meio da floresta, com um pequeno lago em redor do qual estão distribuídas as cabanas que servem de alojamento.




Havia a possibilidade de andar num pequeno barco no lago e claro que a pequenada ficou fã!






No Sábado, depois de bom almoço, explorámos um pouco a zona, demos uma espreitadela ao rio, que se podia descer em cima de umas câmaras de ar. Não nos pareceu boa ideia dada a grande probablidade de a M poder ser cuspida em algum encontro imediato com uma rocha de maior dimensão, também pelo facto de a K, mãe da família que nos acompanhou na aventura, estar grávida e porque a água estava bem fria! Fica o registo fotográfico a desafiar-nos para uma próxima visita.


Em seguida, fomos experimentar um pouco de adrenalina, canopy como dizem aqui por estes lados, ou slide como se diz na nossa pátria, mas não em bom português!

Adorámos, as pequenas não tiveram medo nenhum e quiseram repetir no dia seguinte.





À noite, de regresso a Mindo Lago, pelas 19:00 assistimos a um concerto de rãs, com direito a uma breve explicação e uma interessantíssima tour nocturna pela selva, junto ao alojamento, onde pudemos ver e ouvir vários tipos de rãs, sapos, aranhas, à luz de lanternas. Fantástico!

No Domingo, partimos em busca de uma cascata. Caminhámos cerca de meia hora selva adentro, mas por trilhos já existentes claro. Atravessámos uma ponte de segurança duvidosa e acabámos por alcançar o objectivo. Estafados, nem sabemos muito bem como conseguimos regressar, pois o caminho de volta foi sempre a subir.












As pequenas não resistiram a mais uma voltinha, ou melhor, duas, no slide; após o que, ainda fomos visitar um Mariposario, onde pudemos ver as várias fases da vida de uma borboleta e segurar algumas delas na ponta dos dedos.

Fim de semana em cheio. Obrigada à K, à G, à C e ao R pelo convite e a excelente companhia.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Boas surpresas matinais

Eu e o P, aficionados que nos tornámos dos Blackberries, assim que acordamos pegamos nos ditos cujos para ver os novos emails, espreitar o que se passa no Facebook (no meu caso, pois o P não tem acesso eh, eh, eh), enfim saber as novidades.
Há dias especiais em que um mail nos enche de alegria. Hoje foi um desses dias, despertámos com novidades enviadas por uma família muito amiga que está sempre connosco, os A de Mafra. Estes amigos estão grávidos, à espera do terceiro filhote e convidaram-nos para padrinhos! Como na semana passada eu pedira à mamã C que tirasse umas fotos à barriguinha que já se começa a notar, ela fez-me a vontade e presenteou-nos hoje com as mesmas. Eu que adoro tudo o que tenha a ver com gravidez e bebés fiquei rendida. Mas uma das fotos deixou-nos aos dois babados. Então não é que em volta do umbigo da mamã desenharam uma Happy Face e escreveram "Olá Padrinhos"! Alguém resiste a uma coisa destas?!
Obrigada mamã C, pai J, B e D.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Surreal

Por vezes acontecem-nos coisas na vida que parecem pertencer a um dos episódios dos Apanhados. Na semana passada, ía o P a conduzir de manhã para o trabalho, pára num sinal vermelho e começa a escutar o carro imediatamente ao lado a buzinar veementemente. O P olha e para seu espanto o condutor do outro carro estende-lhe uma gravata para a janela e começa a dizer "gravata, gravata", pedindo ao P, através de gestos, que lhe fizesse o nó da gravata!
O P nem queria acreditar que pudesse ser verdade, pensou inclusivamente que pudesse ser uma forma de assalto, em que a gravata contivesse um produto que por contacto nos faz perder os sentidos (técnica muito popular por estas bandas); mas depois olhou para o condutor, que tinha bom aspecto, bem vestido, olhou para a mulher sentada ao lado do mesmo que parecia implorar com o olhar que o ajudasse e decidiu fazer o dito nó, mas por precaução marcou o meu número no telemóvel não fosse o diabo tecê-las!
Então, num ápice o P viu-se de gravata ao pescoço, a fazer um nó o mais depressa que conseguia, pois a qualquer momento o sinal passaria a verde. Devolveu a gravata com o nó feito e arrancou. Quando chegou ao escritório e contou aos colegas o que se passara, todos se admiraram... surreal.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Censo

No próximo Domingo, 28 de Novembro, o Equador vai literalmente parar entre as sete da manhã e as cinco da tarde, para que seja feito o censo da população. Entre as referidas horas, com excepção dos alunos e professores que farão as entrevistas casa a casa, ninguém poderá abandonar o seu domicílio, a não ser que tenha um salvo conduto e estes estão a ser atribuídos apenas a trabalhadores da área da saude ou outras situações especiais.
Na rádio, de manhã, não falam de outra coisa, inclusivamente a emissão é a mesma em todas as estações, um espaço de perguntas feitas pela população por via telefónica e respondidas em directo pelo responsável nacional do Instituto Nacional de Estatística, ou qualquer coisa assim.
Ao que parece, para além da informação relativa ao número de pessoas que habitam cada domicílio, bem como as respectivas idades, é necessário informar se temos água potável, luz eléctrica, acesso à internet, máquina de lavar, secar, quantos quartos tem a casa, desses os que são utilizados para dormir, quantas lâmpadas existem na habitação e dessas quantas são de baixo consumo. Enfim... várias questões com vista a avaliar não só o número de habitantes, mas também as condições em que vivem.
Como sempre, neste tipo de situações, fazem-se as perguntas mais disparatadas que se possa imaginar, muitas vezes por desconhecimento. Apesar de ser um inquérito confidencial, no sentido em que não é referida qualquer espécie de identificação pessoal, algumas pessoas parecem receosas, pois colocam questões do género:
"Se eu disser que tenho máquina de lavar e secar, cortam-me o subsídio?"; "Se eu referir que tenho um terreno, tenho de o partilhar?"; "Se a minha casa tiver vários quartos disponíveis, tenho de a dividir com outros?"
As respostas dadas são muito tranquilas e tranquilizadoras, por isso, das duas uma, ou eu sou muito crédula e para mim um censo é algo perfeitamente natural, sem segundas intenções; ou então sou completamente ingénua e não vejo o impacto que a informação disponibilizada poderá ter na vida das pessoas, pois há sempre formas de contornar o critério da confidencialidade .
Prefiro continuar a acreditar na minha visão ocidental! Contudo, não posso deixar de achar estranho esta espécie de prisão domiciliária a que vamos estar sujeitos no próximo Domingo.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Carro ou barco?

Mas quando é que para esta chuva?
Desde dia 13 deste mês que a chuva não pára de cair e de que maneira. Aqui não chove, temos verdadeiras tormentas, com direito a trovões, relâmpagos, rios de água, enfim...
Está melhor, pois enquanto nos primeiros dias chovia durante todo o dia, ultimamente apenas começa a chover entre as duas e as quatro da tarde.
O horário escolhido coincide, claro está, com a hora em que eu e a M nos fazemos à estrada para ir buscar a C, por isso temos tido o privilégio de usufruir de cada gota destas interminável chuvada.
Hoje foi tão forte, que a estrada em muitos locais parecia um rio e eu só dava graças por ter um carro que é literalmente todo o terreno e facilmente ultrapassa esse tipo de obstáculos. Não esqueçamos que, de Quito a Cumbaya, é sempre a descer e por isso a enchurrada ganha uma força muito maior.
Se continua assim, temos de pensar seriamente em adquirir um barco a motor, pois talvez seja mais fácil circular por este rio de asfalto em que se tornou a Interoceanica 28.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Chuva

Desde Sábado à tarde que praticamente não parou de chover, alternando entre aguaceiros ligeiros e chuva muuuiiito forte. As estradas enchem-se de lençois de água e de toda a espécia de detritos que a chuva arrasta, há mais trânsito, mais confusão, mas não deixa de ter um cheiro e um sabor a Outono/Inverno, que até sabe bem.
Assim, no Domingo, como ficámos por casa, decidimos fazer a árvore de Natal, já que em vez do habitual calor abrasador do meio dia, tínhamos o barulho da chuva, o frio, a lareira acesa, enfim, todos os ingredientes para levar a cabo uma das tarefas anuais que mais prazer me dá ( e às pequenas também!).
Passámos uma boa parte da manhã e da tarde decorando a árvore, colocando estrelas, bolas, pais natal, bonecos de neve, enfim tudo o que vem incluído no pacote.
Adoro o ambiente aconchegante criado por toda a parafernália natalícia, são as cores quentes das decorações, das luzes, das velas que passam a elemento decorativo de destaque durante a época.
Parece que fazer tudo isto de manga curta e num dia de muito calor, não batia certo, por isso obrigada pela chuva e pelo frio, mas agora já chega... que venha o sol outra vez!

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Mensagem em código

Quando está na hora da banhoca e as pequenas estão muito entretidas com a brincadeira, há sempre um "não quero!", "hoje não é preciso!", mas acabam sempre por ceder aos prazeres de um duche quentinho!
Há uns dias atrás, por volta das seis da tarde comecei a chamá-las pequenas para tomar banho. A C, num rasgo de inspiração, resolveu escrever-me esta mensagem, que para além de confirmar o sentido de humor da autora, dá conta da confusão linguística que paira na sua cabeça.
A transcrição:
Creda Mai yo ga desisti de tomar bainho por isso yo screvi esta carta yo não cero ce me sataias.
de Catarina
Para Mai
A tradução:
Querida Mãe,
eu já desisti de tomar banho, por isso eu escrevi esta carta. Eu não quero que me chateies.
De Catarina
Para Mãe
Este é o resultado de estudar numa escola internacional há três anos e meio, onde se fala inglês; durante dois anos ter tido todos os dias uma hora de alemão e estar agora a ter uma hora por dia de espanhol/castelhano e pelo meio ir trabalhando um pouco de língua portuguesa.
Só podia mesmo estar baralhada!

terça-feira, 9 de novembro de 2010

7 anos e 6 dias

Há sete anos e seis dias comecei a desempenhar o meu papel de mãe. A pequena C entrou nas nossas vidas e mudou-as por completo. Alteraram-se rotinas, horários, a casa encheu-se de cor-de-rosa, ficámos em baby mode.
Tem sido fantástico vê-la crescer. Os primeiros sorrisos, gargalhadas, gracinhas; os primeiros passos meio descordenados, as primeiras palavras e as muitas que se seguiram (acho que a pequena tem o mesmo problema que eu... fala muito!), as brincadeiras de faz de conta, as tintas, a plasticina, os recortes... Tudo o que faz parte da vida de uma criança e que nos enche a nossa vida.
Agora já não temos uma bebé em casa, mas uma menina com sentido de humor, bem disposta, teimosa, curiosa, ainda com receio de experimentar coisas novas e arriscadas, mais virada para o mundo dos piratas e cavaleiros do que das princesas, mas que escolheu a Sininho como tema da sua festa de aniversário!
Depois de um dia entre formas de bolos, farinha, ovos, açucar e afins, a passada 4ª feira foi um dia bem passado, dedicado à criançada, com direito a insuflável e piñata.











segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Cuenca

Dia 31 de Outubro e 1 de Novembro demos uma escapadinha até Cuenca, outra cidade património da Humanidade. Vale bem a pena visitar pela beleza das igrejas e catedrais e pelas casa coloniais. Por sorte coincidiu com a festa da independência de Cuenca, pelo que a cidade estava adornada de bandeiras de Cuenca e do Ecuador, música e feiras de artesanato por todo o lado.
Só foi pena ter chuvido durante parte da manhã, mas não há nada que uns belos paráguas comprados na loja do chinês não resolvam.

Casa colonial- Hostal Posada del Angel



Casa colonial - Consulado da Alemanha





Igreja de São Francisco e feira adjacente



Catedral Nova - lateral




Catedral Nova - Fachada principal




Catedral Nova - Fachada principal




quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Apanhados

Circular em Quito e arredores pode ser uma experiência única. Senão vejamos:

1. No que toca a lugares disponíveis nas viaturas é só imaginar e tudo é possível!



Este amigo é dos mais audazes e imaginativos!


Com lugares privilegiados na caixa aberta, estes aproveitam o tempo para um snack




Este, sem alternativa, utilizou a técnica da sandwich







Estas é mais cabelos ao vento, no topo de gama dos descapotáveis





Este outro resolveu assegurar a entrega total da mobília




"Assim já consigo ler o cartaz!!!"




Este muito bem instalado, dorme encostado a uma pilha de edredãos. É, pelos vistos, o melhor lugar na viatura



"Tá-se beeem!!!"


2. A atenção dada ao cliente é insuperável, tudo se vende enquanto estamos parados num semáforo ou numa fila de trânsito




Estes no meio dos carros vendem o que podem...




Aqui o serviço é mais específico: "Un helado, talvez"




"Frutóóó chiclate!"


3. O parque automóvel, ainda que recheado de boms carros, sobretudo jipes, também tem estas pérolas




O mítico pão de forma





Pão de forma em versão ainda mais reduzida




Spitfire versão Tunning



Bus tipo sem inspeccção





Camião da construção versão Tunning (até tem águias no capot... lindo!)




Mas para que não se pense que tudo é mau, vejam o luxo do camião do lixo, perdão, da basura

sábado, 23 de outubro de 2010

Países muito amados

Há alguns dias atrás terminei de ler um livro que me encheu as medidas, não pelas suas graaannndes ambições literárias, mas pela evidência da admiração, paixão e deslumbramento do autor pelo seu país, falo de Pensageiro Frequente, de Mia Couto. A obra consiste num conjunto de breves "aguarelas das terras e das gentes de Moçambique", originalmente concebidas como artigos para a Índico, revista de bordo das Linhas Aéreas de Moçambique, destinados a um "passageiro que pretende vencer o tempo e, tantas vezes, o medo", isto nas palavras do autor.

De facto assim é, relatos de três, cinco páginas acerca de zonas do país e da sua beleza, costumes, crenças, modos de viver, sempre com a intensa vivência e perspectiva de Mia Couto. Adorei! Textos curtos, simples, mas, sem dúvida, peças literárias. A começar pelo título, onde se inventa a palavra "pensageiro", que alude para as palavras passageiro, pensador, talvez. Penso que foi isso que Mia Couto fez, pensou no seu país que tanto ama, e dele falou aos passageiros frequentes e menos frequentes também.

Com tudo isto, não consigo deixar de pensar na prometida viagem a terras moçambicanas que ainda estamos a dever ao amigo de longa data RR. Será que algum dia a faremos? Apetece-me cada vez mais.

Mia Couto fez-me relembrar outra autora que tanto admiro, Isabel Allende, e em particular a obra O Meu Pais Inventado. Desta feita o mote foi o amor pelo Chile e a nostalgia de quem está longe. Aqui temos as memórias, as experiências e a invenção ou reinvenção de um país de onde se está afastado física e temporalmente. Também está na minha pasta dos Favoritos.
O país onde nascemos ou crescemos (no meu caso) é sempre o lugar para onde queremos regressar, onde estão as nossas pessoas mais importantes, onde ficaram as primeiras experiências e referências e onde estão as nossas raízes. Amo muito Portugal!
Às vezes penso como a C e a M irão sentir-se em relação a tudo isto. A primeira nascida em terras lusas, mas tornada cidadã do mundo aos três anos; e a segunda nascida na perfeição helvética, mas a cruzar céus desde que tinha um mês e meio. Por enquanto sei que partilham o nosso amor e nostalgia por Portugal. Estão sempre prontas para mais uma viagem, para dar e receber toneladas de carinho, para ver o mar, brincar na praia, a viver mil aventuras com primos e amigos. A presença de todos os que do outro lado do mundo fazem parte da nossa vida é uma constante nas nossas conversas e planos. Curiosamente os amigos que deixámos em Basileia estão incluídos neste acervo, pois sabem que é em Portugal que vão poder reencontrá-los.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Tipicamente equatoriano

Na passada 2ª feira, esta vossa amiga e o seu rebento mais novo decidiram ir à peluqueria fazer a manicure, para estarmos todas lindas para a chegada da avó B. Coisas de gajas! Chegámos ao salão às 09:25 e disse à senhora que tinha de estar despachada antes das 10:30, pois tinha um compromisso a essa hora. Como é costume, disse-me logo que não havia problema, que tinha de fazer um penteadito daí a vinte minutos, mas que dava tempo. Então vamos a isso!
Passados 20 minutos, estava eu com a risca branca da manicure francesa completa numa mão e meia feita na outra quando chega a senhora do penteado. Não é que a cabeleireira me deixa sentada à espera e vai fazer o tal penteado?! Esperei cerca de vinte minutos, bufando, olhando para o relógio, com uma vontade imensa de ir-me embora.
Quando finalmente veio acabar o trabalho disse-lhe que isto era inacreditável, que ela deveria ter-me dito que não tinha tempo para mim, pois eu já estava atrasadíssima e não iría dar tempo nem para pintar umas florzinhas nas unhas da M, nem para deixar secar as minhas. Mil desculpas, mas a verdade é que quando cheguei ao carro tudo tinha sido em vão pois metade das unhas estavam esborratadas, a M estava aborrecidíssima da espera e continuava sem as suas flores! Nesse dia perderam duas clientes!
Cerca de dois meses depois, vieram finalmente ligar-nos a internet mais rápida. Que conquista, pois as últimas três semanas pautaram-se por telefonemas diários para a companhia e promessas que nunca foram cumpridas até hoje. O técnico demorou cerca de 15 minutos a fazer a instalação e eu fico a pensar que todo este atraso só pode dever-se a uma das seguintes razões: ou os dois milhões de habitantes de Quito resolveram todos solicitar a instalação da internet na mesma altura ou os técnicos têm de deslocar-se a pé ou eles gostam mesmo de gozar com a clientela.
Agora o que há a fazer é esperar que não haja qualquer problema com a internet, pois nem imagino quanto tempo demorarão para o resolver.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Vulcões

Sábado, oito da manhã, tudo a postos para a visita ao Parque Nacional Cotopaxi.
As miúdas excitadíssimas, "Vamos ver o Cotopaxi, vamos ver o vulcão!", os graúdos também mas mais contidos verbalmente, sem, contudo, deixar de incendiar o entusiasmo da pequenada. Sim, porque isto de ver o bicho ao longe deixa sempre água na boca.
A estrada boa, para espanto de todos os participantes da expedição, pois os amigos que nos acompanharam haviam dito que a estrada tinha muitas curvas o que tornava a viagem mais demorada. Mas não, estrada com duas faixas nos dois sentidos, cerca de uma hora de caminho... até que saímos da estrada e virámos à direita, seguindo a indicação do Parque.
Estrada de terra batida, buracos, solavancos , nada que um jipe não supere facilmente e que na realidade trouxe mais emoção à aventura.
Depois de entrarmos no Parque a estrada foi ficando pior, muito pó, muitos buracos, pedras soltas, lama, sentíamo-nos numa verdadeira expedição. Tivemos inclusivamente de passar por uma poça gigante de água onde nunca nos atreveríamos com um carro.
Fomos subindo, subindo, subindo até chegarmos ao Parqueadero, 4500m de altitude! A partir daí só caminhando. Quando saí do carro a cabeça a andar à volta, dois ou três passos mais rápidos e a respiração ofegante e um friiiio!




O P e o J ainda subiram mais um pouco até ao Refúgio, 4810m... foi obra. Segundo eles, só foi possível através de passadas curtas e muuuuiitas paragens. Regressaram extenuados mas satisfeitos pela vitória alcançada.




Como estava um dia enevoado não foi possível ver a totalidade do vulcão, mas de vez em quando lá nos faziam a vontade e o céu abria um pouco para vislumbrarmos o colosso. Lindo! O contrasde das cores, o negro e castanho do solo e o branco gritante da neve - como diria uma grande professora que eu tive na faculdade "Você não pode morrer sem" ver algo assim.




Descemos um pouco e pelo meio de uma vegetação característica da zona, o páramo, curta e amarelada que confere uma sensação de aridez, dirigimo-nos a um delicioso restaurante dentro do parque. Isolado, rodeado por cavalos selvagens e uma vista fantástica.
Obrigado aos B que nos acompanharam, valeu bem a pena.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Lianor

Já Camões pensava numa certa Lionor, eu também dou por mim a fazê-lo, por desespero!


A nossa empregada é trabalhadora, é simpática, canta todo o dia (infelizes dos nossos ouvidos - a M às vezes diz assim "cala!" felizmente sem ela ouvir!), brinca com as pequenas escondendo-se ou correndo atrás delas pela casa, mas não passa um dia em que não faça alguma! A melhor de todos (até agora...) ocorreu ontem.

Eu e a M tínhamos estado a juntar follhas no jardim com um ancinho, mas como a pequena já estava um pouco cansada e com alguma fome, pedi à L que pusesse a folhagem num saco para ir para o lixo. Quando já estava a dar comida à M, a L veio à cozinha e perguntou-me "Las hojas, las boto?". Percebi eu que me estava a perguntar se as deitava fora, pois é a expressão que utiliza para se referir a isso "botar en la basura". E eu disse que sim. Passado um pouco diz-me que estava a arder bem e eu não percebi de imediato o que se estava a passar, mas cheirou-me literalmente a esturro! Quando lhe pedi para repetir, explicou-me que as folhas estavam a arder muito bem. Ía tendo um ataque. Era cerca do meio dia, o calor no seu auge e a fulana resolvera fazer uma fogueira no meio do pátio! Pedi-lhe logo que pusesse água para apagar e que, por favor, não voltasse a fazer aquilo, pois poderia ser muito perigoso. Percebem agora o meu desepero!

Nas últimas duas semanas conseguiu estragar com lixívia umas leggings cinzentas da M, encolheu um polo do P comprado este Verão, esfregou tanto uns ténis da C cheios de corações brilhantes que quase perderam a cor, enfim...
De facto Camões tinha razão "Lianor (...)/Vai fermosa e não segura", mas eu preferia que ela seguisse a versão do António Gedeão "Leonoreta (...)/Vai ditosa e bem segura", podia ser que os acidentes deixassem de acontecer!

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Uau!

Ainda a propósito da escola , na passada sexta-feira fui convidada, bem como todas as outras mães da turma da C, para um "cafecito" (assim estava escrito no convite) em casa de uma das mães, responsável pela gestão dos dinheiros para a realização das actividades durante o ano lectivo.
Depois de uma inaudita viagem de taxi, pois eu não era a única cliente a usufruir do serviço e o meu destino foi obviamente o último, lá cheguei à casa da dita mãe.
O que eu pensava ser apenas um cafezito entre mães e umas bolachitas ou eventualmente um bolito, era afinal uma recepção. Depois de uma calorosa manifestação de boas vindas, como é habitual, fui conduzida à sala de estar, onde já estavam outras mães e a professora. Para meu espanto é-me oferecida uma bebida por um senhor simpatiquíssimo, fardado a rigor, com papillon e tudo! Seguiram-se umas entradas e quando todas as mães já estavam presentes, fomos para a sala de jantar onde estava uma mesa enorme repleta de várias iguarias. Enquanto decorria o lanche ajantarado fomos discutindo de que forma cada uma de nós poderia colaborar na organização das actividades. Trocaram-se ideias, experiências e no final cada uma ficou, além de gastronomicamente satisfeita, esclarecida quanto ao papel a desempenhar.
Tudo isto fez-me pensar nas diferenças culturais: na Suiça isto nunca aconteceria, poderíamos reunir-nos num lugar público e cada uma pagaria a sua conta, lol; em Portugal seria de facto um cafezito, sem tanta pompa, mas acolhedor certamente.
Nestas situações sinto-me latina, mas com uma costela marcadamente europeia!
Better to keep it simple!

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Escola

Não posso deixar de referir nestes desabafos a escola da C, que em breve também será a escola da M.
Chegados da Suiça, onde para além do frio no Inverno tamném se nota uma certa frieza na forma como as pessoas interagem, muitas coisas me têm espantado positivamente no que diz respeito à escola.
Na escola em Basileia a filosofia era não dar espaço quase nenhum aos pais na escola, eramos convidados a assisitir às apresentações de Natal e final de ano, reuniões de avaliação e pouco mais. Chegaram ao cúmulo de, numa festa de Natal, proibirem a presença dos irmãos mais novos (eu sei... não é normal!)
Aqui em Quito é precisamente o oposto, procuram que exista uma parceria muito forte entre escola, família e comunidade, desenvolvendo inúmeras acções para levar a cabo esse objectivo. Por exemplo, no início do ano lectivo realizaram um "orientation day", uma espécie de caça ao tesouro, que visava ajudar os pais e os alunos novos a descobrir os diversos espaços existentes na escola e que terminou com um almoço; eu, o P e a M participámos numa visita guiada ao centro histórico da cidade, organizada pela escola; os pais podem desempenhar tarefas com a turma dos filhos, acompanhar as visitas de estudo, participar em actividades. Eu voluntariei-me para ler histórias na aula, pelo menos uma vez por mês; há outras mães que vão com os alunos à biblioteca ler livros; outras ajudam na organização das celebrações de Halloween, de Natal, etc. O mais interessante é que são os pais, ou melhor, as mães que em conjunto com a professora planificam como tudo vai decorrer e que papel será desempenhado por cada um.
Tenho de dizer que gosto disto como mãe e também como professora.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Explorações nos arredores

Depois de intermináveis fins de semana esperando por electricistas, canalizadores, técnicos da empresa de alarme, finalmente conseguimos ter um Domingo sem compromissos e lá fomos à descoberta.
Pelo caminho, conseguimos finalmente fotografar o Cotopaxi, ainda que ao longe.






Decidimos visitiar a "Mitad del Mundo", que é relativamente perto, cerca de 20 km de Quito.
Que emoção estar em cima da linha que divide os dois hemisférios! Vimos serem feitas algumas experiências interessantíssimas que mostram como alguns elementos se comportam de forma diferente no hemisfério norte e no hemisfério sul, apenas a centímetros de distância. Têm de visitar!











"Good News"







Almoçámos num restaurante com uma vista deslumbrante para uma cratera de um vulcão que colapsou há algumtempo atrás e quando regressámos a Quito conseguimos andar meio perdidos em partes da cidade que não conhecíamos!




Foi um bom Domingo!




sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Sequela da telenovela

Só para perceberem como é difícil resolver as coisas por aqui, vou deixar-vos com o ponto da situação descrita no episódio anterior da telenovela.
O frigorífico substituto foi entregue nesse dia, tal como se esperava, e FUNCIONA!
Os técnicos da companhia das águas, não apareceram no dia seguinte, não entraram em contacto e hoje voltaram a não dar um ar de sua graça! Por milagre (deve ter sido obra da Virgencita del Panecillo - santa local) a torneira que tinha ficado a pingar depois de terem substituido o contador, parou de o fazer. Esperamos o desenrolar da história, a não ser que, por desígnios divinos, os ditos senhores tenham sido avisados de que o problema deixara de existir!
Quanto ao alarme, está realmente a funcionar, mas tínhamos solicitado que retirassem um som horrível que se assemelha ao latido de um cão em sofrimento, que soa sempre que se desarma o alarme, e esse mantem-se.
Por que razão hão-de resolver-se as coisas de uma única vez? Mais vale deixá-las em aberto e quem sabe a Virgencita dê uma ajudinha ou o cliente deseperado tenha de voltar a ligar e assim podemos cobrar mais uma deslocação!
O que vale é que vou encarando as coisas com um sorriso! É como diz o ditado "Primeiro estranha-se, depois entranha-se."

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Novo episódio da telenovela venezuelana, perdão, equatoriana

Quando parecia que tudo estava terminado, não era preciso trocar ou arranjar mais nada, o frigorífico comecou a não refrigirar, a temperatura rondava os 11 graus em vez dos 4 ou 5 aconselhados, o alarme, depois de trocarem um vidro partido, deixou de funcionar e esta manhã batem-me à parta uns técnicos da companhia das águas referindo que era necessário substituir o contador pois estava muito velho.
Claro que todos os senhores responsáveis pelas necessárias reparações chegaram praticamente ao mesmo tempo e pouco antes da hora do almoço.
Assim fora de casa estavam os da companhia das águas que conseguiram substituir o contador, mas estragaram uma torneira de segurança. Voltam amanhã pela mesma hora!
Dentro de casa estava o técnico dos frigorífico, que não conseguiu resolver o assunto, pois o motor, segundo ele estava "golpeado". Resta acrescentar que este frigorífico tinha sido entregue ontem ao final da tarde, em substituição do primeiro que deixara de funcionar em condições. Portanto o segundo nem sequer funcionava! Vêm ainda hoje, dizem, entregar outro.
O técnico do alarme que foi o último a chegar foi também o mais bem sucedido. Aparentemente foi rápido e eficaz. O alarme está novamente a funcionar. (Até ver!)
Enquanto tudo isto decorria, além de ter de providenciar aos senhores técnicos metade do material de que eles necessitavam para efectuar o seu trabalho (" no tiene talvez um martellito, por favor"; "una fundita" -um saco; "un vaso chiquito"- um recepiente pequeno), a M estava esfomeada, pelo que tive de lhe ir dando o almoço no meio de birras impacientes.
Quando fechei a porta e o último destes fabulosos profissionais saiu de minha casa, nem queria acreditar!
A M está finalmente a dormir a sua merecida sesta e eu posso finalmente respirar de alívio.
Que manhã!
Mas não se enganem, antes do dia terminar terei o prazer de receber um novo frigorífico e amanhã uma nova visita dos senhores da companhia das águas!

terça-feira, 5 de outubro de 2010

E viva a República! E viva Portugal!

Cem anos é muito tempo e significa que o nosso país se democratizou de forma sólida. Será?
Nos últimos dias, quando vemos o Telejornal na nossa RTPI, não conseguimos deixar de nos sentir apreensivos com tudo o que se está a passar, esta crise económica que parece afundar-nos, a resignação que se ouve nas palavras das pessoas entrevistadas nas ruas, às vezes parece falta de esperança.
Sempre fomos dados à melancolia, à saudade, ao fado, mas à falta de esperança não. Lembremo-nos da nossa bandeira, todo aquele verde representa não desistir, lutar, esperar por dias melhores. E eles virão!
Viva a República e viva Portugal!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Missão cumprida

Finalmente está tudo desempacotado, arrumado e organizado!
Trabalho árduo, mas valeu a pena, já que agora podemos dizer "Estamos em casa"!
As nossas coisas, apesar de não passarem disso mesmo, situam-nos, dão-nos referências, sabem a nosso, a casa, a lar.





















As pequenas voltaram a ter os quartos cheios de brinquedos e como já não os viam há três meses tem sido uma redescoberta.







A mãe das pequenas voltou a ter os seus livros, cds, fotografias e todo o equipamento de cozinha.
Que saudades de fazer uma quiche! Já fiz e ficou óptima (mas como aqui não existe massa folhada ou quebrada fresca à venda tive de pôr mãos à obra).
O pai das pequenas cheio de saudades do seu churrasco, fez ontem uns bifes de chorizo deliciosos.







E a cadela tem dormido umas sestas invejáveis na sua casota.
Que mais há a dizer?

ESTAMOS À VOSSA ESPERA!